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Fernanda de Aragão
Alegre e inquieta. Paulistana pé de lã, divulgadora científica e cultural. Mestre e doutoranda pela Unicamp, desenvolve pesquisas em psicanálise e esporte. Posta no Cinco de Outubro, no Ser-Tão Paulistano, no Polegar Opositor e no Café Docente.
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Agente Literário: ter ou não ter?

Uma pessoa inteligente contrata uma outra ainda mais inteligente para trabalhar para ela.

Falta de tempo, falta de conhecimento, falta de estrutura e falta de contatos. Estas são as típicas faltas de um escritor iniciante, e eu sempre me deparo com elas quando penso em publicar meu livro.

O que eu sei é que escritores vivem dos seus livros, que devem ser palpáveis (o e-book será, mas ainda não é a bola da vez). É por isso que eu digo que não é muito interessante fazer literatura só quando a inspiração chegar, principalmente para quem quer fazer dela seu ofício. Trabalho, trabalho, trabalho, veja o exemplo de Marina Colasanti.

Quer seu livro publicado? Com ou sem agente literário, é preciso montar uma estratégia, traçar metas, estabelecer objetivos, determinar caminhos (e vários, para se ter outras opções de escolha). É fato: dos inúmeros autores que enviam seus originais para as editoras, principalmente as de renome (por que se aventurar a começar de baixo?), apenas alguns conseguem seus objetivos.

Muito do que um agente literário faz, você pode fazê-lo também. Então, para quê pagar um? Voilá!

O Agente Literário:

Profissional do mercado editorial que faz o elo entre as editoras e os autores. Dentre outras coisas, ele trata da promoção de um escritor e administra sua carreira literária, representando-o legalmente junto de editores, com quem negocia os respectivos termos contratuais.

Perfil do Agente Literário:

O Agente Literário atua em conjunto com outras agências literárias internacionais e editoras ao redor do mundo, promovendo pessoal e individualmente seus autores e obras, buscando sempre a maior divulgação e sucesso dos escritores que representa. Para isso ele deverá ter uma boa rede de contatos, um bom conhecimento da área, conhecimento técnico e demonstrar competência. No mínimo:
• deve entender de contratos na hora de representar o escritor em negociações relativas a traduções da obra, adaptações para outras linguagens (como cinema, teatro), publicações no estrangeiro.

• deve entender do mercado editorial brasileiro, de marketing editorial para contribuir melhor na promoção do livro, no intuito de maior vendagem.

• deve ter amplo acesso aos editores, saber que tipo de literatura eles procuram. Só assim, quando procurados por um escritor, poderão indicá-lo a melhor editora para os seus livros.

Funções do Agente Literário:

• fazer a ponte entre o autor e a editora, concentrando todos os esforços para a publicação da obra numa única pessoa e, assim, evitando perda de tempo e dinheiro para o autor.

• avaliar a obra, identificá-la, enquadrá-la em alguma linha editorial e apresentá-la às editoras que possuam um catálogo que melhor se ajuste ao perfil do trabalho apresentado, com o objetivo de publicar seu livro conforme as expectativas do autor e de acordo com a atual política do mercado editorial.

• providenciar o envio dos originais para as editoras e monitorar o andamento de todo o processo até a contratação da obra.

• marcar reuniões nas editoras para tentar viabilizar a publicação de uma determinada obra.

• cuidar do contrato que o autor celebrará com a editora e de todos os processos burocráticos compreendidos por essa negociação (geralmente inclui assessoria jurídica no momento da assinatura do contrato de edição)

• fiscalizar a divulgação, a distribuição e a comercialização da obra pela editora e, até mesmo em pontos de vendas, no sentido de possibilitar ao autor as informações sobre esses processos.

• agendar eventos, congressos, entrevistas, etc.

• orientar o autor nas entrevistas e nos eventos em que a presença do autor for solicitada.

• fazer intermediação entre escritores, roteiristas, autores, outros agentes literários, editoras e mídia, através de interesses comuns.

• marcar presença nos principais eventos e feiras literárias e culturais do Brasil, possibilitando e facilitando o contato entre escritores e editores com diversos agente literários nacionais e internacionais.

Remuneração:

É feita através de um acordo/contrato com o autor e pode ser de várias maneiras, desde a cobrança de uma taxa mensal por um determinado período de assessoria (no mínimo 200 reais por mês), a um percentual sobre os ganhos em direitos autorais, percentual este que pode variar de 10 a 20% sobre o montante de ganhos do autor.

Geralmente, o agente literário sobrevive de uma parte dos direitos autorais do escritor. Quanto maior o ganho do escritor maior o do agente literário também, de maneira que os dois devem atuar em conjunto.


Observações:
* o escritor, uma vez sozinho, precisa correr atrás, investir tempo e dinheiro em busca de editoras, esse caminho pode ser mais curto com um agente literário e o dinheiro investido seria direcionado.
* o agente literário não faz milagres, visto que valem as mesmas regras de seleção editorial tanto para os trabalhos fornecidos pelos agentes, quanto pelo próprio autor ou outro tipo de representante. Desta forma, agentes não dão garantias de publicação.
* fora os contatos, que o agende deve ter, e de sobra, não há diferenciação de tratamento na negociação do contrato com a editora. Um agente tenta conseguir o melhor acordo para o autor, mas ao custo de ficar com uma parcela dos direitos autorais.
*quando a editora diz que só recebe material de agentes, provavelmente ela está indicando uma preferência por autores muito conhecidos. Ou seja, a linha editorial dela não está aberta para autores inéditos.
* os autores iniciantes devem montar uma estratégia de chegar até editoras que aceita autores desconhecidos. Há uma quantidade respeitável de editoras pequenas que se arriscam bastante, ninguém precisa ficar aborrecido com as grandes e hiper seletivas (embora eu, particularmente, ache que não custa nada tentar as grandes também, e principalmente).

Pontos Positivos:
• contratar um agente literário oferece maior chance de ter a sua obra publicada, já que eles têm bons contatos;

• maior visibilidade no segmento editorial, já que esses profissionais vão até as editoras e expõe toda a proposta do livros;

• uma melhora considerável do texto, já que muitos agentes fazem uma revisão ortográfica do texto (eu prefiro dar a cada um o que é de cada um. Prefiro considerar o agente literário um administrador e que o escritor contrate uma outra pessoa para verificar o texto).

Pontos negativos:
• os agentes não se comprometem a publicar a obra, ou seja, você paga e não tem garantia de que o seu livro será publicado.

• os agentes cuidam de vários livros ao mesmo tempo, de diferentes autores, e não se dedicará integralmente ao seu livro.

O escritor precisa de um agente literário quando:
1. Não sabe os trâmites para chegar a uma editora e ter seu livro publicado;

2. Não tem tempo para se dedicar em procurar uma editora que tenha uma linha editorial adequada ao projeto de seu livro;

3. Não tem tempo para administrar sua carreira de escritor;

4. Não conhece as demandas e a política do mercado editorial;

5. Quer que sua obra seja apresentada às pessoas certas, nas editoras certas;

6. Quando, por conta própria, tudo parece dar errado;

7. Quando não consegue implementar sua própria carreira literária;

8. Quando acredita que uma pessoa inteligente contrata outra pessoa, ainda mais inteligente, para trabalhar para ele.

Antes de contratar um agente literário:
• tenha claro quais são objetivos como escritor e que tipo de editora você tem interesse;

• faça uma pesquisa prévia, mesmo que breve, sobre as editoras que você considera que são adequadas;

• submeta sua obra para análise de outras pessoas. É importante um feedback que não seja do parente mais próximo ou do amigo mais chegado.

Na dúvida, siga os passos:
1. Determine se é preciso ter um agente literário, ou não. Você, como escritor, é o único capaz de discernir sobre a necessidade ou não de um agente literário de acordo com os seus próprios objetivos em relação à carreira literária. Note que esta resposta depende inteiramente de que tipo de trabalho literário você desenvolve e o que você quer fazer com ele.
2. Assegure se o seu material está pronto para um agente. Uma boa medida de segurança é assegurar o material que vai ser apresentado ao agente (e aos editores) na Biblioteca Nacional, setor de registros. A literatura faz dos direitos autorais sua moeda de troca. Tendo o material em ordem, no caso de autores já estabelecidos, é possível submeter apenas uma parte do manuscrito e talvez um esboço do livro. Já os escritores novos e/ou desconhecidos devem estar preparados para submeter o manuscrito inteiro, principalmente em se tratando de textos ficcionais, romances, novela. Abre-se uma exceção aos escritores cuja obra constitui-se de capítulos, e então é possível apresentar um esboço ou um projeto do material a ser produzido.

Ao escolher um agente literário:
• pesquise sobre trabalhos anteriores e, se possível, identifique alguns clientes;

• verifique com quais editoras o agente trabalha, se pequenas, de médio e/ou grande portes;

• verifique se a editora que você tem interesse se encontra na lista de editoras que seu futuro agente tem contato, ou se ele trabalha com editoras similares;

• verifique se as editoras com as quais ele trabalha têm uma linha editorial próxima a sua;

• verifique a linha editorial dos clientes com quais ele trabalha e se é compatível com a sua;

• se possível, converse com algum cliente e obtenha referências sobre o trabalho do agente;

• verifique se o seu agente tem bons contatos, se ele participa de eventos e festas literárias, se ele promove encontros, etc, enfim, se ele é uma pessoa ativa dentro do mercado editorial.
OBS: Encontrar um agente e encontrar um agente que esteja ao seu lado são duas coisas diferentes.

Tome cuidado:
* Negocie com cautela o contrato que você vai assinar com o agente. Repito que a moeda de troca são os direitos autorais e, muitas vezes, os agentes amarram os escritores com um contrato de exclusividade, já que eles negociam um percentual da venda dos direitos autorais dos livros.
* Taxas da leitura, taxas da manipulação, taxas de submissão e as taxas da avaliação não devem ser consideradas normais.

Os Serviços Adicionais:
* Alguns agentes estão afiliados com outros fornecedores de serviço tais como desenhistas, especialistas em marketing, assessores de imprensa e tentarão empurrar estes serviços para você. No entanto, até que seu trabalho esteja publicado, você não tem nenhuma necessidade para tais serviços e não deve pagar por eles.
* Os agentes que aceitam autores ainda inéditos têm o mesmo problema que os editores, que é separar o minimamente publicável das pilhas de material pouquíssimo profissional. Assim sendo, a maioria cobra uma taxa para fazer a leitura da obra e avaliar suas possibilidades de ser negociada com alguma editora. Fique atento.

Concurso Internacional de Literatura 2009 - UBE/RJ (Cerimonial)



Há vários mundos dentro daquilo que se chama literatura. É que a sociedade se constitui assim mesmo, com seus guetos, pelos semelhantes, através das identificações, e também pelo oposto disso tudo, as diferenças, as distâncias, por aqueles que não têm tampas. Existe o conservador e o rebelde (literatura marginal?), o clássico e o moderno (contos de uma frase ou aforismos que valem um conto?), o sério e o irreverente (a crônica como gênero menor?), o mundo e o sub-mundo (literatura pulp feita de papel para os enjeitados?) e por aí adiante, no dia 30 de outubro fui ver de perto o mundo acadêmico das letras, e sua gente (eu no dentro?).

Uma cerimônia feita em antítese. De um lado os premiados já com livros publicados. De outro, os autores de livros inéditos. O patrocínio da Petrobrás ainda estou esperando, já que custeei minha própria viagem, sem ajuda, sem nada, apenas com aquele banner estendido ao lado da mesa principal no auditório oficial. Perdi alguma coisa? Talvez. O garoto do Piauí foi com gosto, meio às pressas, confortavelmente, pertencia ao time dos com livros já publicados, aqueles escolhidos pela comissão julgadora sem conhecimento prévio dos autores, grana da Petrobrás? Só se foi para estes, não pude apurar, mas é fato que o dinheiro foi para alguém diferente dos inéditos. Nesta linha mais fraca, muitos de fora nem chegaram a ir, deixando os residentes do Rio de Janeiro a promessa da festa e aquele almoço por adesão no dia seguinte.

Está certo que existe uma putisse minha em relação ao prêmio. Primeiro pela falta de contato com a gente da organização. Recebi apenas um único telefonema, informando minha colocação, o provável dia da condecoração e aquele tom suspeito no ar: olha, minha querida, parabéns, vire-se para chegar ao Rio de Janeiro, já lhe disse o dia, anota o auditório. Da suspeita veio a certeza na medida em que, ao vasculhar a internet, nenhum telefone de contato com a União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro. A convicção do dane-se você, queridinha, veio com o telefonema para a sede de São Paulo, olha meu bem, lá não tem telefone, comunicamo-nos (no bom portugês) por email com o presidente. Passou o email, mas sempre voltava, como se os amarelinhos dos correios pudessem me dizer: foi e voltou, moça. Aham! Caixa postal cheia? Não sei. O que sei é que a estranheza permanecia com outros telefonemas e aquela falta de vontade para resolver o problema (que se repetia, e se repetia, e se repetia) da falta de contato, olha minha senhora, eu quero ir receber meu prêmio, mas preciso de mais informações, não tem como me ajudar? Não teve. Nova busca na internet e outra idéia. Por que não ligar diretamente na Academia Brasileira de Letras, local do evento? Um vão; de nada sabiam. Nada de telefones para contatos, veja bem minha senhora, eu quero ir receber meu prêmio, mas preciso de mais informações, não tem como me ajudar? Não teve. Na última idéia, algum resultado. Achar na lista o telefone da residência de alguém, daquele único nome que despontava no edital do concurso, o secretário da instituição, que foi muito simpático em receber meu alô fora de hora (será que você pode me ajudar?) em sua residência em Copacabana. Ajudou, na medida do que lhe era possível, confirmando o evento, a hora e a razão. E tem ajuda de custo? Veja bem, a literatura, você sabe como é... Sei, sei. Mas, e depois? E aquele cartaz estampado da Petrobrás? Onde será que eu perdi o bonde? Só me restou mesmo pegar aquele de Santa Tereza, aquele no Pão de Açúcar.

A cerimônia foi digna. Pessoas bem vestidas, solenes. Hino francês, hino brasileiro. Algumas palavras na oficialidade, um ou outro protocolo e, na vez de cada um subir e buscar seu certificado no estilo colação de grau, os aplausos dos familiares e amigos mais chegados que estavam na platéia, um ou outro cônjuge coruja, alguns membros da instituição, música nos intervalos para eliminar o cansaço. Minha vez, protocolo à risca, também na estica, pose para as fotografias.


É fato haver uma alegria contida. Uma felicidade, um reconhecimento. Para alguém que, em menos de dois anos, resolveu ser escritora e cronista; para alguém que montou apenas um único livro na vida, receber tal honraria por certo que é um motivo de muito orgulho. E tem a coisa da competição, não se pode negar, sempre há o gostinho daquele ouro, prata e bronze dos primeiro, segundo e terceiro lugares, aquela fila que chega depois, sabe-se lá com que critério ou julgamento, na exatidão da arte ou na inexistência dela. A tristeza fica por conta da mensagem subliminar do pouco caso que ainda se faz, não com a literatura, com as pessoas e seus valores. É que tem um povo tão grande, em quantidade, em espírito, em várias outras formas, espalhados por aí, que na falha, no furo, na falta, no “foda-se” (e como eu odeio essa concepção de “liga o foda-se e seja feliz” colocando todo o outro, que é a sociedade, na qualidade de menor, como se ela não fosse importante, como se não houvesse mais necessidade de respeito, como se tudo fosse uma coisa darwinista de que os mais fortes sobrevivem, e então os alunos não respeitam mais os professores – de quem é a responsabilidade desse país de iletrados? – e por aí vai, nesse egoísmo de vida tosco coroado com aquela ilusão “eu nasci sozinho”, mesmo com todo mundo ciente de que nenhum ser humano sobrevive ou se reconhece sem o outro depois do parto); no foda-se tudo parece um círculo vicioso daquele tipo eu finjo quê..., eles fingem também. Daí que a roda na mesmice continua e, no sistema, nada de novo.

A parte interessante ficou mesmo com as diferenças. Há literatura de todas as formas, e a acadêmica faz cerimônia, festa a rigor, terno, gravata, vestido longo e sapatos altos num lugar onde a idade revela a experiência, o respeito e a tradição, templo sagrado no qual as formalidades permanecem.

Os vencedores: Lúcia Freitas de Andradre, Jorge Luiz Lima de Souza, Ademir Moreno Aguilar, Avelina Maria Noronha de Almeida, Flávia Savary, Ângela Togeiro, Érika da Silveira Batista, Helton Reginaldo Cenci, Sérgio José Meurer, Celso Antônio Lopes da Silva, Anibal Albuquerque, Hélio Rubens Batista Ribeiro Costa, Pedro Pazelli, Márcia Regina de Araújo Duarte, Fernanda de Aragão e Ramirez, Alda Estellita Lins, Marcos Vinicius Quiroga, Amélia Alves, Marilda Oliveira, Getúlio Cardoso, Augusto Sérgio, Ana Helena Ribeiro, Olívia Barradas, Norma Guilhon, Emanuel de Moraes, Gabriel Nascente Beatriz R. Dutra, José Carlos Ribeiro, Marco Aurélio Baggio, Ítalo Suassuna, Emil de Castro, Diogo Mendes Souza, Patrícia Engel Secco, Edu Engel, Jorge Ariel Madrazo. 

Memórias da Literatura - Museu da Pessoa


Já disse antes, na postagem sobre A Formação do Escritor, sobre o Memórias da Literatura, do Museu da Pessoa. O objetivo é destacar as experiências de autores e leitores e suas relações com a leitura ao longo da vida, mostrando também a diversidade da produção literária lusófona, seja no Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe ou Timor Leste. Com apoio da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o programa buscou promover uma integração entre os países de língua portuguesa por meio da difusão da literatura produzida por seus autores. Abaixo os arquivos de 2007. Divirta-se!

31.10.07 • BIBLIOTECA DAVI VAIE: LEGADO DE UM IMIGRANTE - Davi Vaie nasceu na Romênia em 1912. Veio para São Paulo em 1927, formou-se farmacêutico e exerceu a profissão por toda a vida. Como bom leitor, Vaie colecionou uma biblioteca particular em sua casa. Após sua morte em 2006, sua neta Tani Vaie resolveu dar uma finalidade nobre para os livros: fundou uma biblioteca em homenagem ao avô, empresta seus livros para pessoas próximas e formou uma rede de usuários. [baixe e ouça]


30.10.07 • POR TRÁS DAS TELONAS - Quem se fascina com a magia das grandes telas de cinema pode não perceber, mas o envolvimento na execução de um filme tem um lado bastante técnico. O roteirista e escritor Fernando Bonassi e o diretor de fotografia Walter Carvalho contam um pouco como é colocar a "mão na massa" quando o assunto é cinema. [baixe e ouça]


26.10.07 • UMA RODA DE ESTÓRIAS - Reunir pessoas interessadas na obra de um escritor para que contem suas experiências em volta de uma roda. Essa é a proposta de uma roda de estórias literárias. Os depoimentos desse programa foram resultado de uma roda sobre o autor mineiro Guimarães Rosa. [baixe e ouça]


25.10.07 • UMA ILHA DESCONHECIDA - Um bom começo para quem quer se iniciar na literatura do escritor português José Saramago é ler "O Conto da Ilha Desconhecida". As educadoras Cris Zelmanovitz e Janete Dreyer tiveram experiências literárias distintas com a obra. Mas para ambas foi marcante a leitura. [baixe e ouça]


19.10.07 • DESPERTANDO PARA OS LIVROS - Como fazer uma criança se interessar pela leitura? Neste programa Arnaldo Niskier e Marcelo Rubens Paiva relembram como se aproximaram dos livros. O bibliófilo José Mindlin dá uma dica incomum para fazer as crianças se interessarem por livros. [baixe e ouça]


18.10.07 • O ESCRITOR QUE QUERIA SER CANTOR - O escritor gaúcho João Gilberto Noll chegou a cantar música erudita em festas, batizados e casamentos. Desistiu da carreira para escrever. Nesse programa ele explica a importância da arte na vida e como faz disso matéria prima para seus romances. [baixe e ouça]


17.10.07 • A BIBLIOTECA DE UMA VIDA - Empresário, advogado e bibliófilo, José Mindlin tem em sua história de vida o amor pelos livros como filosofia. Aos 93 anos, as estantes de sua biblioteca têm mais de 38 mil títulos, acumulados ao longo de uma vida. [baixe e ouça]

16.10.07 • O ESCRITOR POR TRÁS DOS ESCRITORES - O célebre criador de o Sítio do Pica-pau amarelo está presente indiretamente em milhares de outros livros que não chega a assinar oficialmente. É que a Monteiro Lobato influenciou tanto seus leitores, que alguns deles também se tornaram escritores, como Lygia Bojunga, Marisa Lajolo e Anderson Braga Horta. [baixe e ouça]

11.10.07 • AO MESTRE COM CARINHO - No começo de nossa vida estudantil tudo parece estranho... Lugar novo, colegas diferentes e novos assuntos: a escola pode ser amedrontadora de tantas novidades. Mas o fato é que vamos nos acostumando e, às vezes, até gostando e cultivando importantes lembranças desses mestres. É o caso dos escritores Zuenir Ventura e Ana Gizélia Vieira. [baixe e ouça]

10.10.07 • COMO NASCE UM ESCRITOR? - Angústia, paixão não-correspondida ou sensibilidade que já nasce com a gente. Você sabe o que faz alguém tornar-se um escritor? Fernando Bonassi, Moacyr Scliar e Nelida Piñon contam como foram suas primeiras experiências. [baixe e ouça]

24.09.07 • CURUMIN ESCRITOR E DESENHISTA - Yaguarê Yamã é membro do povo Saterê Mawé do Amazonas. Desde pequeno Yaguarê desenha nas areias de sua aldeia. Quando adulto veio para cidade grande, fez faculdade e hoje é escritor e pintor. Yaguarê Yamã relembrou sua trajetória ao "Memórias da Literatura". [baixe e ouça]

19.09.07 • ERA UMA VEZ... - Quem não se lembra de ouvir, maravilhado e atento, histórias contadas pelos pais, avós e professores? São momentos que se eternizam e possibilitam o aparecimento de adultos mais criativos e com gosto pela leitura. As contadoras de histórias Deise Tebaldi e Edileine Fonseca falam do mágico universo da oralidade. [baixe e ouça]

17.09.07 • HERÓI SEM NENHUM CARÁTER - Após muita pesquisa sobre a cultura do país, o modernista Mário de Andrade surpreendeu-se ao concluir que o tão falado caráter do brasileiro é, na verdade, não ter caráter algum. A obra resultado desta descoberta é Macunaíma, que marcou o escritor Jorge Miguel Marinho e o diretor de teatro Ednaldo Freire. [baixe e ouça]

04.09.07 • O OLHAR DE REPÓRTER DO ESCRITOR - Marçal Aquino é um dos grandes nomes da literatura contemporânea. Repórter policial por muitos anos, ele faz de suas andanças pelas ruas e seu olhar de repórter a fórmula literária para criação de seus personagens e histórias. [baixe e ouça]

03.09.07 • LEMINSKI À PRIMEIRA VISTA - Polêmico, arrebatador e apaixonante. O curitibano Paulo Leminski viveu intensamente seus 44 anos. Morto em 1989, sua obra continua despertando paixões à primeira vista. As jornalistas Maíra Kubik e Cristiane Gomes contam como o autor traduziu com imensa beleza vários momentos de suas vidas. [baixe e ouça]

31.08.07 • A BELEZA DE UMA SEVERINA - A sensibilidade e a precisão dos versos de “Morte e vida severina” do pernambucano João Cabral de Melo Neto impressionam leitores como a professora Ana Sylvia Ribeiro e estudante Bruno D'Angelo. [baixe e ouça]

29.08.07 • UM ESCRITOR COM SOTAQUE - O dramaturgo paraibano Ariano Suassuna é um dos maiores defensores da cultura popular brasileira. Durval Leal Filho foi produtor de um documentário sobre o escritor, e o diretor de teatro Ednaldo Freire encontrou na obra de Suassuna uma identidade de vida e criação artística. [baixe e ouça]

27.08.07 • MENINOS DA AREIA DE SALVADOR - Um dos livros mais lembrados de Jorge Amado é Capitães da Areia. Além de ser a obra mais vendida deste grande escritor baiano. A história do grupo de meninos de rua emocionou o documentarista Durval Leal Filho e a pedagoga Cris Zelmanovits. [baixe e ouça]

24.08.07 • O DIÁLOGO DE CAIO - Como taxista, Mauro Castro se tornou um cronista de mão cheia. Já a produtora cultural Djaine Damiati começou a se interessar pela literatura adulta por influência do escritor gaúcho. Ambos conheceram novas fronteiras literárias a partir da leitura do escritor Caio Fernando Abreu. [baixe e ouça]

23.08.07 • DAS PÁGINAS DO LIVRO PARA O PALCO - Dois diretores de teatro e amantes da literatura falam do envolvimento que tiveram em processos coletivos de adaptação de romances para os palcos. Cacá Carvalho montou o Homem provisório a partir de um clássico de Guimarães Rosa e Alexandre Mate adaptou Não verás país nenhum de Ignácio de Loyola Brandão. [baixe e ouça]

22.08.07 • UMA ESCRITORA FASCINANTE - Reconhecidamente bela, a escritora Hilda Hilst viveu muito a frente de seu tempo. Não quis se casar ou ter filhos, escolhendo viver em uma chácara no interior de São Paulo na companhia de seus fieis companheiros caninos. A inteligência rara e a qualidade literária da escritora surpreenderam as paulistas Djaine Damiati e Carolina Stanisci. [baixe e ouça]

21.08.07 • OS CLÁSSICOS E SEUS LEITORES - Livros que sintetizam sentimentos humanos e ultrapassam diferenças de idade, tempos vividos e condições sociais. Ana Sylvia Ribeiro e Cris Zelmanovits narram encontros emocionados com os clássicos. [baixe e ouça]

16.08.07 • LEITORES SEM TEMPO PARA LEITURA - Eles não têm muito tempo para um bom romance. Os jornalistas Bruno D'Angelo e Cristiane Gomes têm uma carga pesada de leitura teórica, mas se desdobram para dar atenção à sua crescente fila de livros a ler. Já a educadora Alice Lanalice descobriu uma forma de reservar diariamente um tempo à leitura prazerosa. [baixe e ouça]

15.08.07 • POLACO, POETA BRASILEIRO - Antonio Thadeu Wojciechowski, o Polaco da Barreirinha, é um agitador cultural. Poeta, já publicou mais de 26 livros, compôs milhares de músicas e já leu “umas duas mil vezes” o livro “Eu” do poeta Augusto dos Anjos. Ouça seu depoimento ao “Memórias da Literatura”, no qual recita versos, poemas e conta sobre seu envolvimento com a literatura. [baixe e ouça]

14.08.07 • LIVRO NOVO DE NOVO - A cada novo olhar, uma nova história. O jornalista Rogério Pereira faz uma releitura obstinada do escritor Raduan Nassar e a educadora Alice Lanalice emociona-se a cada vez que relê Campo Geral, de João Guimarães Rosa. Enquanto isso, o escritor Cristóvão Tezza mudou a interpretação que fazia de Monteiro Lobato após uma releitura mais madura. [baixe e ouça]

13.08.07 • A INVENTORA DAS VACAS VOADORAS - Edy Lima cria histórias da forma mais trivial. Mas quando passadas para o papel ganham contornos absurdos. Aos 83 anos, Edy é uma das mais importantes autoras de literatura infanto-juvenil e falou ao Memórias da Literatura sobre livros, criação e sua amizade com Monteiro Lobato. [baixe e ouça]

10.08.07 • O BOM ESCRITOR QUE DEIXOU DE ESCREVER - A trajetória literária de Raduan Nassar acumula, ao todo, dois romances “Lavoura Arcaica” e “Um copo de cólera” e o livro de contos “Menina a caminho". Dez anos depois de iniciar a carreira literária, o escritor decidiu abandoná-la. [baixe e ouça]

08.08.07 • POETA PANTANEIRO - Poeta das pequenas coisas, Manoel de Barros carrega em seus versos contornos da alma do Pantanal brasileiro. Em sua poesia ele explora os mistérios do irracional, sempre tomando nota de frases curiosas. O jornalista Cláudio Fragata é um apaixonado pelos poemas de Barros; assim como a jornalista Valéria Burgos o considera indispensável. [baixe e ouça]

07.08.07 • ESCRITOR DOS MIL E TANTOS LIVROS - Ele escreve um romance em menos de seis horas e publicou 1075 livros, sendo 1000 livros em menos de 6 anos. O Memórias da Literatura conversou com Ryoki Inoue, o paulista descendente de japoneses, que era médico, largou a carreira e se consagrou como o maior escritor de obras literárias do mundo, segundo o Guiness Book, livro dos recordes. [baixe e ouça]

06.08.07 • O POETA, SEUS VERSOS E O CIGARRO - "Nada mais natural do que fazer versos", sentenciava o poeta gaúcho Mário Quintana. A escritora de livros Edy Lima, amiga de Quintana, recorda-se bem de sua facilidade para os versos. Assim como o ilustrador gaúcho Eloar Guazelli conta um episódio inusitado sobre a intensa relação do poeta com o tabaco. [baixe e ouça]

03.08.07 • LIVROS USADOS - Livros usados, livros raros, livros baratos, outros nem tantos. Nos sebos é possível encontrar praticamente qualquer tipo de obra. Em São Paulo, o Sebo do Messias possui estantes carregadas e funcionários cheios de história, como contam o fundador, o ex-garçom Messias Antonio Coelho, o vendedor Jonas Taussio e o responsável pelo site do sebo, Cleberson Aquino. [baixe e ouça]

02.08.07 • AÇOUGUE CULTURAL - Imagine um local em que carnes e livros convivem lado a lado, onde, literalmente, é possível alimentar o corpo e a mente. Para os freqüentadores da casa de carnes T-Bone, em Brasília, o açougue-biblioteca é uma realidade, levada a cabo pelo dono, Luiz Amorim. [baixe e ouça]

01.08.07 • DO LIXO AO LIVRO - O projeto “Dulcinéia Catadora”, foi implementado pela artista plástica Lucia Rosa para capacitar catadores de lixo reciclável como escritores e artistas gráficos. O ex-catador Peterson Marques e escritor Flávio Amoreira trabalham com a editora que leva o mesmo nome do projeto. [baixe e ouça]

31.07.07 • O SERTÃO CANTADO PELO PÁSSARO MIÚDO - O poeta nordestino que carregou em seu nome a sua cidade natal, Assaré, no interior do Ceará, viveu até os 93 anos, morrendo em 2002. Patativa do Assaré é lembrado pelo lavrador Dirceu Pelegrino e pela jornalista Valéria Burgos. [baixe e ouça]

30.07.07 • A CONSTRUÇÃO DE UM ESCRITOR - Além da consagração como cantor e compositor, Chico Buarque cada vez mais se consolida como escritor de romances. As jornalistas Elisa Amaral e Miriam Portela comentam o lado autor do grande poeta da música popular brasileira. [baixe e ouça]

27.07.07 • FLIP - FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATY - A cidade histórica de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, há cinco anos abriga um dos eventos culturais mais interessantes do Brasil: a Flip, Festa Literária Internacional de Paraty. A festa também se preocupa em trazer melhorias para a comunidade local, em especial às crianças do ensino público. [baixe e ouça]

26.07.07 • O POETA BEM HUMORADO - A tuberculose atormentou Manuel Bandeira desde os 18 anos de idade, obrigando-o a uma vida reclusa e cheia de privações, distante dos simples prazeres do cotidiano. Esta fragilidade e isolamento se transformaram na principal matéria-prima de sua poesia. Para o professor de História Nicola Gris, Bandeira é o grande poeta brasileiro. Um de seus poemas marca a experiência da professora Ana Sylvia Ribeiro com literatura. [baixe e ouça]

25.07.07 • O ESCRITOR E SUAS MIRABOLANTES HISTÓRIAS - Murilo Rubião é escritor, mas também foi professor, funcionário público e jornalista. E desta última profissão herdou uma maneira objetiva de escrever, que usou para contar histórias fantásticas, repletas de situações absurdas ou surreais. Essas características fizeram com que o professor de teatro Alexandre Mate e o jornalista paulistano Fabrício Valério se encantassem com seus textos. [baixe e ouça]

24.07.07 • O POETA DE SETE FACES - Carlos Drummond de Andrade foi um dos principais nomes da poesia brasileira. Publicou mais de 20 coletâneas de poesias, crônicas e livros infantis. Este poeta mineiro que prezava os versos livres e que cantava o cotidiano é um dos autores preferidos da professora Ana Sylvia Ribeiro e do jornalista Michel Fernandes. [baixe e ouça]

23.07.07 • UM JEITO DIFERENTE DE SE DIVERTIR - Umas das brincadeiras que as crianças Bruna Costa e Pedro Henrique Borges mais levam a sério é a de escrever livros. Eles são escritores-mirins. Apesar da pouca idade que têm, eles já pensam em seguir uma carreira literária. [baixe e ouça]

20.07.07 • POESIA NO ASSENTAMENTO - No meio da terra vermelha, em um assentamento do MST, o trabalhador rural Dirceu Pelegrino tira inspiração para suas poesias. Em seus versos, a relação entre homem e natureza se transforma em poesia. [baixe e ouça]

19.07.07 • ESCRITORES QUASE FAMOSOS - Miriam Portela e Armando Alexandre dos Santos escrevem muitos livros, mas não assinam quase nenhum deles. Eles são os chamados ghost-writers ou "escritores-fantasmas", profissionais que escrevem livros para que outros assumam a autoria. [baixe e ouça]

18.07.07 • A PROSA DOS RETIRANTES - Graciliano Ramos descreveu a trajetória de retirantes de forma magistral no livro "Vidas Secas". Ativo na política do Estado de Alagoas foi secretario de Educação e, por conta de suas posições políticas, foi preso no governo de Getúlio Vargas. O tempo de cadeia rendeu o livro "Memórias do Cárcere". Seus personagens impressionaram a jornalista Elisa Amaral. Já o jornalista Fabrício Valério se recorda dos traços de personalidade dos mesmos. [baixe e ouça]

17.07.07 • NA LINHA DIRETA DE XANGÔ - O poeta Vinicius de Moraes é autor de uma dezena de livros e outras tantas canções. Desregrado e encantador, foi um artista apaixonado pelas boas coisas da vida. Os jornalistas Carlos Soulié e Miriam Portela contam como conheceram a obra e a personalidade deste poeta singular. [baixe e ouça]

16.07.07 • ENGATINHANDO NA LITERATURA - A lembrança do livro inesquecível lido na vida acompanha toda a vida. A jornalista Mariana Zylberkan guarda especial lembrança de "Marcelo, Marmelo, Martelo" de autoria da escritora Ruth Rocha, assim como o comerciário João Paulo de Lima se recorda de "Meu Pé de Laranja Lima". [baixe e ouça]

13.07.07 • PASSAGEM LITERÁRIA - A passagem subterrânea de uma das mais movimentadas avenidas da capital paulistana, a rua da Consolação, é um agradável ponto aos leitores desde 2005. Silas Rocha e Odete Machado contam como é trabalhar vendendo livros nesta curiosa passagem literária, muito freqüentada por pessoas como o fotógrafo Winer Pastore. [baixe e ouça]

12.07.07 • DAS PÁGINAS POLICIAIS PARA A LITERATURA - Rubem Fonseca, um dos maiores nomes da literatura policial no Brasil, foi delegado e repórter policial antes de se tornar escritor. É da realidade fria e violenta dos crimes sua inspiração para a literatura que cativa leitores, como a jornalista Paula Poleto e o jornalista e ex-delegado Edson Flosi. [baixe e ouça]

11.07.07 • COMPOSITOR, ESCRITOR E MAGO - Paulo Coelho é o maior fenômeno de venda da literatura brasileira. Numa mistura de auto-ajuda e exoterismo, seus livros já foram traduzidos para cerca de 59 idiomas em mais de 160 países, onde já vendeu mais de 90 milhões de exemplares. O estudante Marco Antonio Rocha e a atriz Simone Violanti dão sua opinião sobre a literatura do autor. [baixe e ouça]

10.07.07 • GEOGRAFIA E POESIA EM GUIMARÃES ROSA - A geografia árida do sertão tem tanto peso quanto a poesia na prosa em Guimarães Rosa. Estes são aspectos ressaltados pelas leitoras Júlia Bergman e Gisela Anauate. [baixe e ouça]

09.07.07 • ECONOMIA EM PESSOA - Fernando Pessoa, além de poeta, foi também jornalista e funcionário de escritórios comerciais. Zé Rodrix se surpreendeu com este lado do autor, assim como Gustavo Franco, que organizou uma coletânea de textos de economia do escritor. [baixe e ouça]

06.07.07 • DA REALIDADE PARA AS PÁGINAS DE UM LIVRO - Histórias e personagens reais às vezes parecem tirados das páginas de um livro. E são os biógrafos os responsáveis por levá-los pra lá. Lucius de Mello escreveu sobre a prostituta Eny Cesarino e Jorge Caldeira é autor de biografias como a do Barão de Mauá e Guilherme Pompeu de Almeida. [baixe e ouça]

05.07.07 • OS BRUTOS TAMBÉM LÊEM - Embaixo de um movimentado viaduto do Centro de São Paulo há um lugar onde livros e um enorme ringue de boxe convivem numa harmonia inusitada. O espaço público foi idealizado pelo pugilista Nilson Garrido, e Aparecido Lúcio. [baixe e ouça]

04.07.07 • MORALISMO EM XEQUE - Nelson Rodrigues retratou com ironia e maestria a classe média urbana brasileira. Simone Violanti leu todas as peças do autor e André Cortez compara a verve de Rodrigues a Machado de Assis. [baixe e ouça]

03.07.07 • LEITORES PROFISSIONAIS - Além de lazer e aprendizado, para algumas pessoas, ler também é sinônimo de trabalho. André Conti trabalha em uma editora de livros e Gisela Anauape escreve resenhas de livros para uma revista semanal. [baixe e ouça]

02.07.07 • O VAMPIRO DA LITERATURA - Dalton Trevisan retrata uma Curitiba miserável, diferente da imagem de cidade modelo geralmente associada à capital do Paraná. O que a princípio incomodou Fernanda Quinta e encantou Luigi Marnoto. [baixe e ouça]

29.06.07 • O CONTADOR DE CAUSOS - Monteiro Lobato foi fazendeiro, empresário, político, ativista cultural, editor de livros, explorador de petróleo e, ufa, escritor. O jornalista Thiago Linguanoto e o a vendedora de livros e escritora Eliza Nazarian falam sobre o autor. [baixe e ouça]

28.06.07 • TALENTO DA MATURIDADE - Algumas pessoas descobrem certos talentos já na maturidade. Tatiana Belinky escreveu seu primeiro livro infanto-juvenil aos 68 anos e Maria do Carmo Giordano, mesmo sem ter publicado ainda, ingressou na literatura quando aposentada e viúva. [baixe e ouça]

27.06.07 • OS PAMPAS LITERÁRIOS - O Rio Grande do Sul do escritor Érico Veríssimo tornou-se universal pela qualidade de sua literatura. Assim falam os leitores Mauirá Zwetsch e Renata Borges Lacerda. [baixe e ouça]

26.06.07 • O CONTISTA DO COSME VELHO - Machado de Assis além de um dos maiores escritores brasileiros, foi um contista de mão cheia. E é exatamente sobre esta faceta do escritor que os leitores Thiago Linguanoto e  André Cortez dão suas impressões. [baixe e ouça]

25.06.07 • DE NOTAS LITERÁRIAS PARA NOTAS MUSICAIS - A transposição de uma obra literária para a música une as duas formas de arte. A violinista Marina Andrade adaptou Augusto dos Anjos e o músico Gereba fez um disco sobre os poemas do folclorista Câmara Cascudo. [baixe e ouça]

22.06.07 • UM BOM LUGAR PARA LER - Qual o lugar mais agradável para abrir um livro e se deixar levar por uma história? Os estudantes Maximiliano de Ataíde e Roberta Martins e o executivo Luiz Halfers falam sobre seus lugares prediletos. [baixe e ouça]

21.06.07 • A VERDADE NA FICÇÃO DE MARÇAL AQUINO - Marçal Aquino é autor de uma dezena de livros, de roteiros e ganhador de prêmios. As leitoras paulistanas Elisa Nazarian e  Luciana Bruno comentam este escritor que despontou na última década. [baixe e ouça]

20.06.07 • GERAÇÃO 90 - No início dos anos 1990, um grupo de aspirantes a escritores começou a se reunir para falar sobre literatura. Entre eles estavam Marcelino Freire e Evandro Affonso Ferreira. [baixe e ouça]

19.06.07 • CENAS DO COTIDIANO - A crônica é dificil ser definida pois transita entre o jornalismo e a literatura. A escritora Heloisa Seixas assinou uma coluna de crônicas, enquanto a jornalista Gabriela Longman é uma grande apreciadora do gênero. [baixe e ouça]

18.06.07 • AS DESCOBERTAS NAS LEITURAS OBRIGATÓRIAS - O estudante de História Hormando Júnior leu o poeta Carlos Drummond de Andrade para a faculdade e se apaixonou pelo autor, assim como Plínio Lourenço Dias ao ler Capitães de Areia, de Jorge Amado. [baixe e ouça]

31.05.07 • BIBLIOTECA PRESTES MAIA - Uma biblioteca diferente, em um edifício abandonado ocupado por 400 famílias, no centro de São Paulo. A Bibliteoca Comunitária Prestes Maia é mantida pelos ex-catadores de lixo Severino Manuel de Souza e sua mulher Roberta, além do voluntário Edison Luis de Lima. [baixe e ouça]

30.05.07 • BLOG E LITERATURA - Os blogs se transformaram ferramentas de trabalho para autores. O escritor Marcelino Freire usa sua página pessoal para dar informações sobre o meio literário. Já Caio Mayer usa seu blog de forma participativa, convidando amigos para escrever. [baixe e ouça]

29.05.07 • LIVROS ALÉM DA VISÃO - Diante da impossibilidade de ler, os deficientes visuais Airton Pasqual e Marli Camacho descobriram o serviço de livros e revistas falados. A tradutora paulistana Loreci Scavazzini é voluntária para estas leituras. [baixe e ouça]

28.05.07 • LIVROS DIGITAIS - A popularização dos computadores está trazendo um novo formato, o livro digital ou e-book. O editor do site Cronópios Pipol trabalha com esta plataforma e o jornalista Rodrigo Rezende é um leitor digital. [baixe e ouça]

25.05.07 • PRIMEIRAS LEITURAS - Você se lembra do primeiro livro que leu? A autora Ruth Rocha ainda guarda um carinho especial pela primeira leitura. E o escritor Marcelino Freire também se recorda muito bem do primeiro poema que leu. [baixe e ouça]

24.05.07 • A INFLUÊNCIA DE LUANDA NA OBRA DE ONDJAKI - Uma das principais fontes de inspiração para os escritores é a cidade em que vivem, com seus problemas, belezas e particularidades. Os hábitos e características de Luanda, capital da Angola, influenciam a produção do jovem escritor Ondjaki. [baixe e ouça]

23.05.07 • DA INSPIRAÇÃO À PRÁTICA - Para quem quer escrever, não basta apenas inspiração, é preciso muito prática. O escritor Fernando Portela criou uma rotina para escrever. E para o poeta Maximiliano de Ataíde começar a escrever é como acompanhar uma melodia. [baixe e ouça]

22.05.07 • ROXOS, FANÁTICOS E LITERATOS - Qual a relação entre os livros e a grande paixão nacional, o futebol? Os escritores José Roberto Torero, torcedor do Santos, e Michel Laub, gremista, falam como tratar literariamente o esporte. [baixe e ouça]

21.05.07 • A TRADUÇÃO DE LIVROS, IDÉIAS E SENTIMENTOS - Muitos leitores só conhecem os clássicos da literatura universal por meio de traduções. O tradutor Ricardo Lísias fala como é transportar um livro de uma língua para outra e a leitora Lídia Teixeira conta como foi ler o mesmo romance no original e no traduzido. [baixe e ouça]

18.05.07 • CONTOS POPULARES BRASILEIROS - A tradição dos contos populares brasileiros é preservada por meio de contações de histórias e de livros folclóricos. A contadora de histórias Simone Grande e o escritor Elias José trabalham neste sentido. [baixe e ouça]

17.05.07 • LITERATURA MARGINAL - A realidade da periferia e as denúncias sociais fazem parte da literatura do escritor paulistano Ferréz. Como ele mesmo define, trata-se de uma literatura "marginal", pois é produzida às margens da elite. [baixe e ouça]

16.05.07 • O LEGADO DO CORDEL PARA LITERATURA BRASILEIRA - A poesia popular do cordel salta dos simples folhetos vendidos em feiras e mercados de rua para ser recitado e cantado por Evando dos Santos e pelo repentista Sebastião Marinho. [baixe e ouça]

15.05.07 • ESCRITOR ALFARRABISTA - Evandro Affonso Ferreira abandonou a escola no primário, foi bancário e publicitário e viveu muito tempo longe dos livros. Mas após um enfarte ele primeiro se tornaria um grande leitor, depois um alfarrabista e então um escritor. [baixe e ouça]

14.05.07 • LITERATURA COMO INSPIRAÇÃO DE VIAGEM - O estudante universitário Mauirá Zwetsch resolveu ir além da expressão "viajar pelas páginas de um livro". Ele foi à Bahia para conhecer de perto as paisagens descritas pelo autor baiano Jorge Amado. [baixe e ouça]

11.05.07 • INSPIRAÇÃO LITERÁRIA - De onde vem a inspiração? Como um escritor inicia um livro? Estas são questões que nos enchem de curiosidade e Tatiana Belinky e Márcio Borges dão a sua versão da histórias. [baixe e ouça]

09.05.07 • LIVREIROS E CONSELHEIROS - Um bom livreiro pode ser um bom conselheiro. Maria Aparecida Saldanha e Silvio Nascimento conhecem tão bem as livrarias onde trabalham que surpreendem os clientes com boas indicações. [baixe e ouça]

09.05.07 • PRODUÇÃO INDEPENDENTE - Muitos escritores só conseguem publicar seus livros por meio de edições independentes. Felipe Sant’ângelo e Diogo Henriques contam como publicaram seus primeiros trabalhos. [baixe e ouça]

08.05.07 • LEITURA EM TRANSPORTE PÚBLICO - Se você já andou de ônibus ou metrô deve ter reparado que quase sempre tem alguém com um livro aberto nas mãos. Marina Azevedo, Gustavo Vinagre e Basílio Magno contam sobre esse hábito. [baixe e ouça]

07.05.07 • AUTORES QUE COMEÇARAM CEDO - Diversões infantis algumas vezes são transformadas em profissão mais tarde. Paulo Werneck e Chico dos Bonecos levaram tão a sério brincadeiras de escrever contos e poemas que acabaram tornando-se escritores. [baixe e ouça]

04.05.07 • TÁXI LITERÁRIO - Nascido no Rio Grande do Sul, Mauro Castro é um escritor taxista. Ou seria um taxista escritor? Casos e histórias abrem e fecham as portas do seu táxi e são publicadas numa coluna semanal em um jornal e no blog Taxitramas. [baixe e ouça]

03.05.07 • A DESCOBETA DOS LIVROS POR RUTH ROCHA - Ainda menina, a escritora Ruth Rocha só foi se aproximar do mundo da literatura por conta de um problema de saúde e, mais velha, só iniciou sua carreira literária por insistência de uma amiga. [baixe e ouça]

02.05.07 • TRADIÇÃO ORAL NA LITERATURA AFRICANA - Na África a sabedoria popular sobrevive pela tradição oral. O poeta Zetho Gonçalves viveu essa tradição oral na Angola de sua infância e fala sobre a influência desses elementos. [baixe e ouça]

01.05.07 • DAS MESAS DE BAR PARA AS PÁGINAS DOS LIVROS - O dono de bar, Jorge Ferreira fala da relação entre literatos e bar, e o escritor Eduardo Rodrigues criou, de fato, um personagem, numa mesa de bar. [baixe e ouça]

30.04.07 • BIBLIOTECAS - Uma biblioteca não significa, necessariamente, fácil acesso aos livros. O escritor Sérgio Caparelli conta sua experiência na infância com a biblioteca do colégio e o ex-pedreiro Evando dos Santos fala sobre a biblioteca que fundou. [baixe e ouça]

Esperança



Aproveite para ler o texto de divulgação científica, Por um País Olímpico, publicado na Vox Scientiae, em 2008.

Ainda sobre os Prêmios Literários


Há uma subjetividade intrínseca da qual não se pode dar conta. É preciso acreditar ou, pelo seu inverso, lutar (dentro, propondo mudanças; fora, em forma de resistência). Um modelo que não é só da literatura, mas dos sistemas sociais: sempre tem gente de dentro, gente de fora e gente em cima do muro. Os que não estão sobre o muro, e têm uma opinião definida, precisam acreditar, e acreditam (contra ou a favor), são convictos, de alguma forma, às vezes não em todas as situações. Aqui vale a máxima de que cada caso é um caso, ora pois, diriam nossos patrícios.

O fato é que os lugares fornecidos pelos prêmios literários vão sempre para os que acreditam, em si e/ou no sistema. Alguns conseguirão pela resistência, outros por fazerem parte do esquema e tem aqueles, incautos, que conseguirão pela sorte de estarem no lugar certo, no momento certo e coisa e tal. Caiu no colo? Talvez. Cartas marcadas? Talvez. Informações privilegiadas? Talvez. Amigo do júri? Talvez. Competência? Provavelmente. Para estes, sempre haverá um algo parecido com Menção Honrosa, respeitando-se, aqui, a idoneidade do concurso [para participar de um, é preciso saber escolher os de boa fé – ou, no mínimo, os menos mafiosos –, faz parte do jogo].

Também não se pode negar o movimento pelo inverso. Como no esporte, nem sempre é o melhor aquele que vence. Nem sempre a arbitragem é a mais correta, ou a mais imparcial. Há uma subjetividade intrínseca da qual não se pode dar conta. Quando eu fazia curso preparatório para me tornar árbitra de basquetebol (aos que não sabem, sou formada em Educação Física), uma situação de dúvida foi colocada por parte dos instrutores:
“num lance em que dois jogadores disputam e, quase ao mesmo tempo, as mãos de ambos jogam a bola para fora da quadra, como um árbitro deve se comportar caso ele não saiba exatamente qual foi o jogador que tocou a bola por último?”
A resposta foi óbvia, e todo juiz sabe: nestas situações o árbitro deve apontar a posse de bola para qualquer um, e apenas um dos times, com convicção, apito firme para manter a autoridade em quadra. Como eu fui atleta, e como a maioria de nós tínhamos uma relação bem próxima com a modalidade, esta resposta não nos surpreendia. O que me chamou mesmo a atenção foi a frase do instrutor, árbitro internacional:
“o árbitro, em cada lance, pode ouvir reclamação e xingamentos de apenas um dos times, se ele ouvir dos dois lados ao mesmo tempo, não estará fazendo uma boa atuação em quadra e, neste caso, é lógico que você vai apontar a bola em favor do time que você tem mais afinidades. Um exemplo: eu não gosto do Oscar [o mão santa], e se eu tiver dúvidas, não vou dar a posse de bola pro time dele”.
Um exagero? Talvez. O fato é que se este tipo de atitude não for intencional, muitas vezes ela pode ser inconsciente, a psicanálise explica. E o mesmo pode acontecer em literatura.

Quem é que garante ser idôneo e imparcial full time na vida? Ora, os jurados, em quaisquer áreas, também estão suscetíveis aos desvios conscientes e às armadilhas inconscientes. Quer seja porque um deles se identifica com um tipo de escrita e não outro, ou porque um tema tenha lhe tocado mais fundo, mesmo que o valor literário não esteja aí arraigado, ou o inverso, tem jurados que só analisam a estrutura do texto e deixam de lado o conteúdo, quer seja porque ele tenha reconhecido o estilo do seu amigo escritor e quis dar aquela forcinha, mesmo que o texto não apresente o melhor embate. E tudo isso pode ser um ato inconsciente já que há uma subjetividade intrínseca da qual não se pode dar conta, a psicanálise não se cansa de explicar.

O fato é que é preciso acreditar e arriscar. No meio da semana recebi um telefonema dizendo que meu livro, ainda inédito, ficou em 2º lugar no Prêmio Alejandro Cabassa, mulheres cronistas, promovido pela União Brasileira de Escritores. Eu, que ainda não conheço as pessoas que circulam no meio literário. Eu, que apenas um ano e meio atrás decidi que seria escritora, e que seria cronista. Eu, que ainda não sei o caminho das pedras. Eu, que nunca ganhei um tostão com literatura. Eu, que ainda me considero imatura. Eu, que acreditei na diferença do meu texto, preparei o original, submeti ao concurso sem ter tido tempo de mandar o texto para um revisor e pensando que, talvez, quem sabe, uma menção honrosa pudesse me cair nas mãos, já que eu não sou amiga, já que eu não sou conhecida, já que eu não tenho contatos, já que concursos são cartas marcadas, já que isso e aquilo outro e blá blá blá.

Sim, estou super feliz com meu 2º lugar. E mais esperançosa com o mundo dos prêmios literários. Eu e as pessoas que me conhecem, que também voltaram a acreditar, não só no sistema, mas em si mesmas:

“Como fico feliz! E acho que esta sua batalha nos dá um grande ânimo na nossa vida de nunca desistir! Grata e parabéns!”

Este foi apenas um dos emails que recebi dos amigos. E a conclusão é aquela, de sempre: é preciso acreditar, dentro ou fora do sistema. Participando ou fazendo resistência. É preciso ter convicções, se jogar no mundo e enfrentar a batalha. Sempre isso, a literatura é como a vida [um momento romântico para finalizar].

A Formação do Escritor


Marina Colasanti, mulher chique e de veste elegante, afirmou (no programa Sempre um Papo) que escrever é a sua profissão. Como tal, se Marina não programar o trabalho, sua obra literária com mais de 40 livros, e de diversos gêneros, perde-se em si mesma. É que, no Brasil, os editores não fazem cobrar escritores para entrega de originais. No contra-ponto, Marcelino Freire deixou marca no seu blog eraOdito. Lá pelas tantas disse que um livro publicado a cada 3 anos não o colocava numa situação confortável como escritor. É preciso se dedicar mais. No complemento: embora não estejamos acostumados com a idéia, um escritor não precisa ser um jornalista, ou um professor, ou um advogado, ou outra coisa qualquer com emprego formal, um médico, um servidor público, um psicanalista e por aí vai.

Se existe um mercado editorial, por mais falho que possa ser, existe a possibilidade de se viver de escrever. É preciso encarar o ofício como outro qualquer que coloca arroz-feijão na mesa, bater metas, cumprir objetivos e deixar um pouco de lado a visão romântica de que faz literatura só no enlaço da inspiração. Neste ponto sei que alguém irá questionar, na ponta da ironia e do preconceito: existe literatura e existe literatura. Insisto em dizer que literatura é literatura, seja ela de agrado ou não, seja ela boa ou ruim, seja ela engajada, de resistência, transformista, esquerdista, direitista, evangelista, feminista, judaica, mongol, africana, portuguesa, latina, americana, etc, etc, etc. E qualquer pessoa pode fazê-la.

Repito: qualquer pessoa pode fazer literatura e bem lá no fundinho todo mundo tem alguma coisa pra contar de um jeito especial, todo mundo tem uma crítica afiada, todo mundo tem um olhar cotidiano, todo mundo um monte de coisa mas nem todo mundo é alfabetizado. É preciso esforços que configurem mudanças, que ofereça acesso à leitura, isso para que, então, uma nova geração de leitores se sinta instigada a fazer própria literatura. Já disse uma vez e repito, quando confirmam existir esta ou aquela literatura, há um endeusamento, e quando os livros ficam trancados em bibliotecas elegantes e intocáveis, e quanto mais disso existir, mais distante a população ficará de qualquer literatura.

Nesta confluência, quem conta aumenta um conto e quem quer ser um escritor faz formação? No sul se montou um curso de graduação e a idéia ganha ares país afora. Mas é preciso uma formação formal para o ofício de escrever? É preciso aprender a colocar as frases daquele jeito que dizem, e falam, e classificam, e ganham concursos? É preciso sempre se fazer literatura engajada, ou literatura fantástica, dizer que Paulo Coelho não faz literatura? Que isso, que aquilo outro? Que os críticos... que os ensaístas... que os cronistas... que os contistas... que eles isso tudo ou aquilo outro? Que o bom mesmo é ser romancista, o gênero dos reconhecidos? Pacotes, pacotes e mais pacotes.

Tá, não se pode negar, estar a par do mundo literário, ler essa ou aquela obra de referência, saber das novidades, ler os lançamentos e abraçar o mundo dos críticos faz parte da engrenagem e faz a roda girar. Mas formação, assim, formal, é preciso? Diploma, certificados, que garantias dão? Eu, cá com meus botões digitais e sempre apoiando as iniciativas em rede digo logo das outras formas. E elas existem. Vou dizer de algumas.

Memórias da Literatura. Uma boa dica pra quem quer fazer uma formação informal para ganhar tarimba pro mundo literário é acompanhar os podcasts que são produzidos pelo Museu da Pessoa e disponibilizados na web. Uma união entre Brasil e Portugal. Tem João Gilberto Noll, tem José Mindlin e tem, para continuar exemplos, Fernando Bonassi, Moacyr Scliar e Nelida Piñon no eterno debate “Como Nasce um Escritor?”. Por aí vai, clique-se!

Os podcasts geralmente são programas com um formato leve, como se fossem ondas de rádio. E nessa via web, é possível encontrar o Perfil Literário, programa de rádio da Universidade Estadual Paulista. Lá também tem um bom caldo. Tem Cristovão Tezza, tem Milton Hatoum, Marisa Lajolo, Andrea Del Fuego, Marçal Aquino, Xico Sá, Moacyr Scliar, Ignácio de Loyola Brandão e Tatiana Belink para dizer de alguns.

Outra dica é fuçar os arquivos do programa Sempre um Papo, já mencionado acima. Mas se a onda é ver essa gente pessoalmente, como sugestão do meu amigo e poeta Guilherme Salla, além dos festivais de literatura se proliferando ainda-bem-país-adentro, o SESC está aí oferecendo muitas rodas de leituras e muitas oportunidades de encontrar pessoas, fazer contatos, trilhar os rumos da literatura, com palestras e oficinas. E por falar em Oficinas Culturais, a dica para quem está no Estado de São Paulo é acessar a página da Associação Amigos das Oficinas Culturais e se inscrever.

Quem está na capital conta com as atividades na Casa Mário de Andrade, literalmente, com bem anotou Carlos Drummond de Andrade: “Aqui [casa de Mário de Andrade] tudo se acumulou. Esta é a Rua Lopes Chaves, 546, outrora 108”. É na antiga casa do escritor que funciona, desde agosto de 1990, a Oficina da Palavra, cuja programação é voltada para o texto e para a literatura. Os projetos incluem o estudo e a criação de diversos gêneros literários (conto, romance, poesia e dramaturgia), jornalismo, crítica, interpretação de textos e redação, somados a palestras, ciclos de depoimentos de escritores, leituras dramáticas, recitais, mostras de filmes e lançamentos de livros, bem como atividades correlatas como, por exemplo, ilustração e encadernação. Entre os nomes que já passaram pela programação da Oficina da Palavra estão Marcos Rey, Lygia Fagundes Telles, Ivan Ângelo, José Simão, Caio Fernando Abreu, João Silvério Trevisan, Ruth Rocha, João Cabral de Melo Neto, Ignácio de Loyola Brandão e Renata Pallotini, entre muitos outros.

Saiba mais sobre a Oficina da Palavra na Casa Mário de Andrade:
Entrevista: Rosa Camargo Artigas
Cargo: Coordenadora Geral da Oficina da Palavra – Casa Mário de Andrade.
Como funciona a Oficina da Palavra? Há cursos palestras, apresentações, saraus?
A Oficina da Palavra é uma unidade da rede de Oficinas Culturais da Secretaria da Cultura, do Governo do Estado de São Paulo. No entanto, ela se diferencia um pouco das outras unidades porque ela é vocacionada para a área de literatura, produção crítica e texto. Ou seja, tudo aquilo que abrange a palavra escrita ou falada. A nossa programação varia a cada semestre, com diferentes coordenadores de atividades e temas abordados.. Os formatos são compostos, em geral, por oficinas, ciclos de debates, cursos, palestras e leituras dramáticas nas áreas de literatura, poesia, dramaturgia, roteiro para cinema e vídeo, crítica, história, etc.

Toda programação é gratuita?
Toda a programação é gratuita para o público, mas é sempre bom lembrar que as atividades ( os professores, a infraestrutura da casa, os funcionários, equipamentos etc) são pagas com verbas públicas, portanto com os impostos pagos pelos cidadãos. Por isso há uma responsabilidade muito grande dos dois lados: de nós que montamos a programação e procuramos o máximo de qualidade no atendimento do público, e dos freqüentadores que têm o compromisso de respeitarem os professores, a infra-estrutura da casa, os horários, a freqüência.

Quem pode participar? Como se inscrever?
Qualquer pessoa pode se inscrever e participar dentro do que cada projeto propõe: faixa etária para o qual ele é dirigido, pré-requisitos de cada proposta. As inscrições podem ser feitas por e-mail ou pessoalmente na Oficina, no horário de funcionamento da administração que é das 12:00 às 20:00.

A casa é tombada?
A casa foi tombada pelo CONDEPHAAT (órgão estadual de tombamento) em 1976. Inicialmente foi alugada pelos familiares para a Escola de Teatro Macunaíma. Antes, em 1968, o acervo de obras de arte, a biblioteca e os documentos pertencentes a Mário de Andrade foram transferidos para a Universidade de São Paulo, formando o acervo inicial do atual Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). A casa passou para o Estado em 1983, funcionando inicialmente como Casa de Cultura. Mais tarde, em 1990, passou a pertencer à rede de Oficinas do Estado.

Em que período Mário de Andrade morou na casa?
A família de Mário de Andrade adquiriu as três casas geminadas da Rua Lopes Chaves em 1921. Mário viveu na casa até sua morte, em 25 de fevereiro de 1945.

Nessa época já aconteciam encontros?
Segundo testemunhos, a casa era um ponto de encontro de intelectuais modernistas. Muitas das reuniões de preparação da Semana de Arte Moderna de 1922 aconteceram nesse espaço. Mais tarde, outras gerações de artistas e intelectuais freqüentaram a casa: escritores, poetas, arquitetos, artistas, historiadores como Antonio Cândido, Sergio Milliet, Lourival Gomes Machado, Paulo Duarte, Luis Saia, Oneyda Alvarenga, entre outros.

Existe algum espaço preservado dessa época?
Somente as estantes e uma conversadeira, fixas nas paredes, permanecem na casa. Há também um velho piano no qual, segundo contam, Mário de Andrade dava aulas. Tudo o mais está guardado e disponível para consulta pública no IEB. A casa, é bom lembrar, não foi tombada por seu valor arquitetônico e sim pela memória de seu ilustre morador.

Há uma poesia em que Mário fala da casa, não? Como ela se chama? A senhora sabe se ele a fez como um “testamento” para o uso do imóvel?
Há vários poemas de Mário de Andrade falando da casa da Rua Lopes Chaves. Não há, no entanto, nada que comprove que eles possam ter um caráter de testamento, expressão de uma vontade do poeta. Num desses poemas, inclusive, Mário pede para ser ignorado (“Mamãe, me dá essa lua... Ser esquecido e ignorado como esses nomes de rua”). No entanto, acho que manter a casa, utilizá-la para fins culturais, cuidar da memória de Mário de Andrade - e de outros artistas - é uma tarefa de todo e qualquer cidadão que respeite e acredite na importância desse grande intelectual para a cultura brasileira. Essa questão devia, inclusive, se estender para outras casas ou espaços das cidades brasileiras que são testemunho de importantes períodos da nossa história.

Literatura Paga x Literatura Pública


Depois do Festival da Mantiqueira, evento literário que anualmente acontece em São Francisco Xavier, interior de São Paulo, foi a vez do Rio de Janeiro dar suas boas vindas à literatura na famosa Festa Literária que acontece em Parati, a FLIP. Internacional. Dizem por aí que esta segunda festa é elitista. Dizem que é midiática. E vão se dizendo coisas, contra e a favor, coisas que, no fundo, só aumentam o debate sobre a literatura. E quanto maior for o debate, tanto melhor. Por conta da pauta. E para o debate, para o bom debate, o debate de dar água na boca, bastam existir fortes argumentos do lado de cá e fortes argumentos do lado de lá. E se tiver alguém pra fazer um meio do caminho, muito melhor.

Mas na linha das constatações, o comportamento elitista ,ou midiático ,ou coisa que o valha da FLIP chegou à tona com a apreensão de livros nas ruas da cidade histórica. Dizem que a prefeitura, em apoio à comissão organizadora da festa, colocou-se em prontidão a fim de impedir (e impediu) qualquer venda ou distribuição não oficial pelas ruas. Ou seja, aquilo que durante as últimas versões da FLIP a caracterizou como um evento também popular, em que os novos escritores se lançavam entremeios ao casario colonial, dando-lhes uma oportunidade de encontrar a tão esperada luz do fim do túnel, foi-se com o argumento oficial de que “não se quer em Parati um varal comercial”. E não quiseram mesmo. A prefeitura, ainda em apoio à Comissão Organizadora da FLIP, resolveu impedir também as comunidades quilombolas e indígenas vendessem seus artesanatos.

Sobre a FLIP dizem por aí, em vários blogs e sites e jornais e revistas e mídias. Neste ano eu não fui, acabei vendo um ou outro debate pela internet, naquela defesa literatura de acesso aberto e coisa e tal. E foi pela democracia digital que fiquei sabendo destes ocorridos, blogs e twitter. O repúdio foi generalizado, o apelo foi do contra: “que palhaçada, hein?”. E a moeda cunhada só de um lado. Mas o debate não carece de bons argumentos, tanto do lado de cá quanto do lado de lá? E de um bom mediador no meio do caminho? Considerando, no caso da web, que a mediação fica mesmo por conta dos leitores do sim e dos leitores do não, quaisquer que sejam eles – ah, que festa democrática é mesmo essa tal vida 2.0 –, fico cá com meus botões digitais tentando afiar a faca de dois gumes.

É que dizem tantas coisas por aí, que fica difícil filtrar páginas e páginas virtuais. O outro lado da literatura de acesso aberto e coisa e tal. De qualquer forma eu fico pensando na legitimidade da coisa. Moro em São Paulo e quando o Kassab baixou a lei Cidade Limpa os doídos capitalistas se morderam, foram do contra, mas lei é lei, apareceu uma nova cidade debaixo de tanta propaganda e coisa e tal. Talvez a prefeitura de Parati tenha querido algo como uma cidade “limpa”. O detalhe é que a limpeza de Parati foi pela exclusão – e isso dá boa briga judicial – e todo mundo quer se sentir incluído, mesmo estando do lado de fora. Ainda mais em se tratando da literatura que, quando não se apresenta como literatura de resistência, muitas vezes, não se apresenta. O que dizer de uns incautos escritores que tentam vender meia-dúzia de livros para sobreviver bem no meio de uma festa literária? A coisa parece que não combina. Ou que, no mínimo, deveria se fechar os olhos para isso de que lei é lei e ponto final.

Opa, é bom que se esclareça que eu achei desnecessária esta proibição feita por Parati. Uma festa literária merece que escritores, bons e ruins, famosos e anônimos, lá e cá, se coloquem entre as vielas históricas ofertando ou vendendo histórias do sim e do não. Da mesma forma como não carece excluir os artesões de uma festa também destinada à arte. Como disse acima, não combina. A questão que quero levantar é outra, da legitimidade, pois dos atos cada um se responsabiliza pelo seu. Em protesto, a comunidade local fez uma manifestação com faixas e passeata e coisa e tal. Clap. Clap. Está lutando pelo espaço. Por opção, a comissão organizadora da FLIP tentou roer aquilo que ela considera excessivo para o bom andamento da festa. Está lutando pelo espaço.

Você não concorda? Nem eu. Ruas públicas, pessoas públicas, literatura paga. Aí que está a faca de dois gumes. Tanto a FLIP quanto os escritores autônomos querem tirar proveito em torno da festa. E nesta linha, desconsiderando todo aquele mundo que está por detrás – falta de apoio para a literatura, país de analfabetos funcionais, falta de ações do governo, falta de dinheiro, falta de leitores, a mídia no controle dos 10 livros mais vendidos, concursos caça-níqueis, premiação para amigos dos amigos, para a literatura engajada, a onda nos micro-contos, corrupção, etc, etc, etc –, eu poderia escrever aqui, em nível de igualdade e desconsiderando todo aquele mundo que também está por detrás da FLIP – política, impostos, mídia, governo, promoção da cidade de Parati em televisões internacionais, promoção do turismo, capitação de recursos, imagem, imagem do país, progresso esperado, capitalização de recursos, corrupção, etc, etc, etc – que cada um só está olhando para o seu próprio umbigo, que isso pode não agradar a gregos e troianos, mas que não é ilegítimo, subjetivamente falando. Isso para os dois lados da moeda.


Me contentaria escrever aqui: ruas públicas, pessoas públicas, literatura pública. Daí a beleza que eu vejo no Festival da Mantiqueira, por enquanto.

Vestindo Outubros Pocket Zine

VESTINDO OUTUBROS Pocket Zine [Ano 1, nº1]
é uma publicação conjunta dos blogs Cinco de Outubro e Vestindo Letras


 
Olá!

Nesta primeira edição do Zine Vestindo Outubros construímos três textos em referência aos rumos da literatura no meio digital. O primeiro, Arquivo Aberto, faz uma alusão ao Open Archives Initiative, considerando-o também como proposta para a literatura. Depois, em Desbloqueio de Blogs, o alerta fica para o uso que se pode fazer deste recurso para a disponibilização de originais na rede, em relação ao ineditismo exigido pelas editoras, prêmios e concursos, também abordados no texto anterior. Para finalizar o debate, o tema escolhido foi Literatura à Distância, cujos questionamentos giram em torno da acessibilidade e do barateamento de custos para que originais e grandes nomes da literatura cheguem a pontos distantes e de difícil acesso.

O Zine Vestindo Outubros conta também com uma parte de criação literária para divulgação de pequenas crônicas e poemas. Nesta edição, Virtualidades fala sobre os sentimentos provocados pelas palavras virtuais, o preto no branco, em sua relação direta com o autor. Já em Matéria-Prima, Letícia Mendonça faz uma interpretação poética sobre letras e autoria.

Seguem os pockets textos. Boa leitura.

Arquivo Aberto

A web veio para ficar e disseminar literatura. Algumas boas, muito boas, outras ruins, muito ruins. Sobre ela incidem questões como ineditismo e originalidade, aspectos também disputados pelas editoras, prêmios e concursos. Um sistema que gera expectativas e serve de degrau para novatos, trampolim para outros, seja através dos blogs, sites e revistas especializadas, seja através de prêmios e concursos. Este embate dos direitos autorais influencia autores. A maioria mantém originais guardados à espera de editoras. Uns encontram na web uma forma de galgar o espaço aberto, disponibilizando sua obra. Uma crescente. Movimentos como o Open Archives Initiative estimulam a produção e a divulgação de conteúdo livre e reacendem o debate sobre o ineditismo. Ao se rever o que, de fato, deve ser original no mundo dos livros, prêmios e concursos, abre-se um espaço para aquilo que de novo a internet pode fazer pela literatura.

Desbloqueio de Blog

Cada vez mais os blogs deixam de ser diários virtuais. Dia-a-dia tornam-se um espaço de idéias e discussões sérias. Há quem viva deles e se não é possível viver de literatura no país, por certo que os blogs podem dar uma mãozinha. A conta é simples e traz questionamentos. O programa Professor Afiliado Submarino chegou a pagar 10% preço de capa ‘pay per click’, mesmo valor que recebe um autor pelo seu original. Já o marketing de guerrilha é capaz de fazer um blog ser acessado por muitos e por todos. Quanto mais tráfego gerado, maior a rentabilidade. A possibilidade de mais pessoas lerem originais ou terem acesso a eles é instigante, principalmente aos novos autores. Mecanismos como o pagerank determinam o grau de importância de cada página na web bem como a credibilidade do texto, que deve passar distante do copia e cola. Algumas editoras já começaram a desbravar este novo mercado, cientes de que um empurra o outro. No caminho inverso, ainda há mais agendas literárias do que blogs produzindo literatura.

Literatura à Distância

Fato consumado, a internet rompeu com o mundo fechado das comunicações e, além, firmou-se como uma ferramenta na diminuição das distâncias, entre elas, a literatura. Não importa o local em que se está, basta ter um computador plugado e é possível acessar as obras disponibilizadas on-line, Fernando Pessoa, Machado de Assis. Uma acessibilidade que torna a literatura mais democrática e menos elitista. Ela pode chegar, por exemplo, àqueles municípios onde muitas editoras não chegam. Através da web, a literatura atravessa fronteiras, viabilizando trocas entre países, línguas e culturas diferentes. Nas escolas, torna-se uma ferramenta valiosa e de baixo custo, complementando bibliotecas. E somando, a web interativa (2.0) permite aos usuários se colocarem de maneira mais ativa diante do mundo virtual. De meros receptores, passam também a construtores deste espaço, comentando, opinando, idealizando. Afinal, ninguém mais quer ficar de fora. E você?

Virtualidades
por Fernanda de Aragão

Não são só palavras num preto e branco. Há desenhos e há laços, todos repletos de sentimentos, e sonhos, e ilusões. Há coloridos que se misturam com a realidade dos desejos, dos afetos. Não são só palavras. É o ar rarefeito num preto e branco, é o medo que dói no peito, a insegurança que aperta o sangue, o suspiro que ninguém vê, mas que está ali. Está tudo ali. O ar, o peito, o medo, o sangue, a insegurança e o suspiro. A falta de razão. Está ali. A vontade do toque, o sentido das mãos para longe dos teclados. O arrepio está ali, e a vontade de amar de novo. A provocação, uma diferença, um se entregar no escuro, sem forma, sem rosto, sem padrão. Ali, onde não há só palavras num preto e branco, é um futuro que não se sabe, se imagina, se faz existir em pensamentos, imagens, realidades. Não são só palavras, um nada a ver preto e branco, um não ser. O afago está ali, a vontade, o desejo do acerto. Tudo ali, em palavras à flor da pele, à espera, e tudo aquilo que mais se escapa à tela: a respiração ofegante, o silêncio e o blábláblá pra se fazer rir, para se sentir no dentro. Não, não são só palavras num preto e branco. É toda uma esperança do encontro.


Matéria-Prima
por Letícia Mendonça

Vislumbro xícaras vazias
e as letras despertam

O meu auto-retrato
são letras dispersas
Calos e cacos
De letras que apertam

Mas me faço de anzol e de vara
(minhas letras espertas)

Linhas, linhas e linhas
Minha matéria-prima
são letras, espaços e vírgulas.

Arte e Cultura: Apoio e Afins



Vamos combinar que não é só a arte e a cultura que precisam estar em constante movimento. As pessoas também, principalmente aquelas que fazem a arte e a cultura.

Nunca monótonas nem presas à mesmice, arte e cultura estão sempre inovando e sempre contam com um ritmo diferente, com uma nova dança das cadeiras. E vamos combinar, tem espaço pra todo mundo, é só pedir licença: poética, artística, musical. Literária.

E vamos combinar que em vez de produzir ciúmes porque fulano está sob os holofotes, muito mais saudável é levantar a bunda da cadeira e ir lá fazer a diferença. É, vamos combinar que a política tem, muitas vezes, o infortúnio de limitar a arte e cultura para alguns, para poucos. Mas nem sempre, e tem muitas ações governamentais bacanas, só não vê quem não está afim. Quem reclama por reclamar. Quem se coloca à margem e quem é do contra. Não é suficiente? Não é e é muito bom esse sempre querer mais. É ele que põe o mundo da arte e da cultura para girar, que põe em debate. Lei Rouanet. Editais de Fomento. Ações do Ministério da Cultura. Reforma. Bora levantar a bunda da cadeira, deixar o desfile de vaidades de lado, o ciúme e colocar mais uma peça na engrenagem?

Vamos combinar que os holofotes da arte e da cultura são generosos, não se pode negar. Sobre suas luzes é possível aplaudir e vaiar de um tudo. Tem poesia boa e tem poesia ruim, tem prosa boa e tem prosa ruim. Tem crônica e tem conto, bons e ruins. Tem ensaio e tem dança, moderna, contemporânea, axé, funk, punk. Tem a literatura marginal, aquela que é comercial e a não-comercial, aquela que compreendida e a outra, incompreendida. Tem aquela de frases curtas, que virou estilo e está na moda. Tem as de frases longas, clássicas e neoclássicas. Tem novela, tem ficção, tem bolero e rock´n roll. Tem moda de viola, tem cultura caipira, tem cultura sertaneja, tem cultura retirante, tem cultura paulistana. Por aí vai, vamos combinar que espaço tem, e mistura, e samba-rock, e jornalismo literário, e crônica poética, e contação de causo.

Então vamos por os pontos nos is e fechar logo o tema: se a montanha não vai até Maomé, é preciso que Maomé vá até a montanha. Tem jeito não. Os holofotes acompanham o que está em movimento. Uma mistura de cores, sons e letras. Até quando artista vai se fechar num eu sou melhor que você e travar o eixo de rolamento? O inverso, formar grupos de elogios, amigo de amigo e coisa e tal também engripa. É que nesse caso a arte e a cultura giram-giram sem sair do lugar, a roda-gigante engasga e o trepa-trepa desmonta.


Vamos combinar que o buraco é mais embaixo. Que a arte e a cultura não podem depender apenas de ações do governo ou de grandes empresas que descontam seus impostos de renda, mais uma vez o governo. Que a arte e a cultura não podem depender de suas próprias vaidades, nem de ciúmes. Que a arte e a cultura precisam de uma reforma de pessoa para pessoa, respeitando-se as diferenças. Que deveria haver uma causa maior envolvida em tudo isso e que tudo isso depende não só das ações do Estado, mas também do cidadão, para que a ele pertença.

E vamos combinar que estamos todos no mesmo pacote e que esperar vir de algum lugar não vai levar ninguém a lugar algum. É, pois é! Bora levantar a bunda da cadeira, deixar o desfile de vaidades de lado, o ciúme e colocar mais uma peça na engrenagem?

A Entrevista Literária


Deixando um pouco de lado a movimentação para a OFF-FEST Literatura Off-Line, que acontecerá paralelamente ao Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura (mais informações aqui; vejo você lá?), nos últimos dias me perdi no whohub, um diretório de entrevistas a profissionais da comunicação, artes, humanidades, tecnologia, marketing, e, em geral, de qualquer atividade que contenha um componente criativo, como escrever.

As perguntas específicas para os literatos são bem variáveis. Como você começou a escrever? Quem lia para você ao princípio? Como é o seu processo criativo? O que ocorre antes de se sentar a escrever? Que tipo de leitura ativa sua vontade de escrever? Em que sapatos você se encontra mais cômodo: primeira e ou terceira pessoa? E por aí vai.

Tá, de certa forma são perguntas simples, muitas delas bastante previsíveis, mas que trazem um bom mote para análise. Por exemplo, logo de cara, um fato dispara: mãe é quem mais lê para os outros. A sua também lia para você? A exceção é algum outro parente que freqüentava a casa, o pai, um tio. Tem outros tipos de respostas, embora seja preciso caçá-las. Não dá para escapar, o gosto à leitura vem do estímulo que se recebe. O bom é saber que existem aqueles que, ao contrário da maioria, começaram a escrever e a se interessar pela literatura depois de crescidos, uma mostra de que sempre é tempo de o Brasil se tornar um país de leitores.

Que escritores conhecidos são os que você mais admira? Pergunta que, confesso, não respondi. Pulei, por conta dos clássicos. E me perdi pensando no mercado editorial, na mídia, coisa e tal. Mas, voilá, a resposta de Cláudio Eugênio Luz foi em justa média: “um português, um russo, um irlandês e um brasileiro com cheiro de rosas”. Então pensei em adicionar outros: um espanhol, uma iraniana, um mexicano, um indiano, um moçambicano, um angolano, uma volta ao mundo, mas só porque faz um baita sentido acompanhar as letras das lideranças regionais. Um paulistano, um goiano, um mineiro, um capixaba, um nordestino, um sertanejo, um retirante, uma volta, uma roda, um desafio. Não respondi, pulei. Fui gastar o verbo nos concursos e prêmios literários. E a coisa foi encaixando.

Lá tem muita gente premiada. E bem premiada, pelo menos em quantidade. O desafio é responder fora do comum. Vez ou outra, lendo os entrevistados, a gente se depara com a nossa resposta de mesmo viés. E talvez seja isso o bacana no site, que também é uma rede social: que é você se colocar no entre, refletir pelos caminhos da literatura e conhecer novas pessoas, os pensamentos delas, anônimos, escondidos, incautos. Vale, no mínimo, a tentativa do exercício. Não, minto, as pessoas é que valem à pena. E ver como elas se agrupam, se aninham e vivem numa entrevista literária.

A minha entrevista está aqui: http://www.whohub.com/fernandezias
E agora eu também tenho twitter: http://twitter.com/fernandezias

II Festival da Mantiqueira - Diálogos com a Literatura



A charmosa São Francisco Xavier, cidade localizada na Serra da Mantiqueira e distante 40 km de São José dos Campos, realizará o II Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura. É mais um evento que se consolida no cenário nacional. Junta-se à FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), à Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas), ao Fórum das Letras de Ouro Preto e outros tantos eventos rotineiros espalhados país adentro.

Nos últimos anos, estes eventos têm sido uma crescente, o que é muito bom. É muito bom que as discussões literárias ganhem mais e mais cidades por aí afora. E é por isso que deixo aqui minha recomendação. A novidade para o Festival da Mantiqueira deste ano será a entrega das honrarias aos ganhadores do Prêmio São Paulo de Literatura e o Programa Viagem Literária. Já confirmaram presença: Beatriz Bracher, Cristovão Tezza, Menalton Braff, Wilson Bueno, Flávio Carneiro, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Luis Fernando Veríssimo, Tatiana Salem Levy, Cecília Giannetti, Tiago Novaes, Wesley Peres, Eduardo Baszczyn, Boris Fausto, Jorge Caldeira, Clóvis Bulcão, Nilton Bonder, Xico Sá, Sergio Paulo Rouanet, Carla Caruso, Ignácio de Loyola Brandão.

Promete debates interessantíssimos tanto quanto os do ano passado (fotos aqui). Um aspecto já marcante deste evento, e que se diferencia de outros do mesmo tipo, são as oficinas literárias destinadas tanto a professores quanto a estudantes. Eu, na minha vertente estudante, tive o prazer de, no ano passado, ter sido selecionada para a oficina de Narrativas Breves coordenada pelo escritor Marcelino Freire (e por lembrá-lo, ele faz parte do quadro de professores do curso de Pós-Graduação em Criação Literária, indicação do amigo Marcelo Maluf). Mais impressões sobre as oficinas que foram realizadas ano passado, podem ser colhidas com essa gente boa aqui: Guilherme Salla (poeta, de Indaiatuba), Beatriz Galvão (declamadora e divulgadora cultural, de São José dos Campos), Pam Obarcam (poetisa) e mais outras tantas pessoas bacanas, como a Nana (de São José dos Campos) que, com perspicácia, montou a comunidade do Festival da Mantiqueira no Orkut – se você tem um, inscreva-se! Outra iniciativa da trupe está sendo a criação da comunidade "Diálogos na Mantiqueira" na Rede Social Ning. A intenção é de oferecer aos participantes do Festival um espaço interativo e colaborativo também na internet, como a já existente e consagrada comunidade do Clube Caiubi de Compositores. Desta forma, depois de arrumada a página em todos os detalhes, além de ser um instrumento de apoio e divulgação, a rede social será um registro vivo e documental para um evento tão bacana como esse, podendo ser, futuramente, uma base documental histórica importante. Participe você também! (Para entender mais sobre Redes Sociais e o Ning, clique aqui e aqui).

Voltando ao tema em questão, segundo chamada dos organizadores do evento,

A Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com a Associação Paulista dos Amigos da Arte – APAA selecionará, por meio de concurso, 30 (trinta) professores e 30 (trinta) estudantes do Estado de São Paulo para participar das oficinas que abordarão os temas “Motivação da Leitura” e “Criação Literária”.

Oficina de Motivação da Leitura
Direcionada para Professores
Duração: 2h/dia = 6h
Professora: Anna Claudia Ramos, escritora, mestre em Ciência da Literatura e Presidente da AEILIJ.

Oficina de Criação Literária
Direcionada para Estudantes maiores de 18 anos
Duração: 2h/dia = 6h
Professor: Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor, professor titular da UFRS e desta tradicional oficina, desde 1985.


E, lembrando que para estes participantes o evento pagará transporte, hospedagem, alimentação e convites para todos os eventos do festival, torna-se uma oportunidade única. Basta que você responda a seguinte pergunta: “Por que você quer participar do II Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura?”

Para nós, participantes da edição passada, a cláusula veio como um tiro no estômago e bateu nossos olhos com um NÃO bem garrafal lá nas letras do regulamento. Ok, nós entendemos os motivos sociais aí embutidos e acatamos a decisão de estarmos impedidos de participar e, parafraseando o blog Miopia: Gui, Bê, Pam, Nana e Wagner, o sonho acabou! Mas você ainda pode! Nós estaremos lá com certeza, e estaremos prontos às ações de divulgação e coisa e tal.

Links Importantes
Site oficial: Regulamento do Concurso Cultural

Espero encontrá-lo por lá!

Menção Honrosa, Conto e Prosa


Sobre prêmios e literatura existem muitos pensamentos que são contra e muitos que são a favor. E muita discussão também. Na linha dos argumentos das boas defesas, aquela politicamente correta: certo seria que os prêmios visassem os escritores novatos, como forma de revelação e apoio. Eu, novata, apoio, concordo, endosso, assino embaixo. Talvez quando eu for mais experiente, macaca velha, com os quadrigêmeos a tiracolo, talvez quando isso acontecer eu mude de lado e queira garfar a outra fatia, aquela dos prêmios de boa grana: os 30mil do Jabuti, os 50mil do Prêmio Cruz e Sousa e os 100mil do Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Mas como sempre resta uma esperança, os 200mil do Prêmio São Paulo de Literatura vão, nessa mesma quantia, tanto para autores de longa estrada quanto para aqueles que são estreantes. Daí por diante é só pensar no conjunto a obra, atingir um nível Prêmio Nobel e embolsar a grana da aposentadoria lá pelos 70 anos.

Tem prêmio literário que é um engodo (e estou diferenciando prêmio de concurso, se é que, em literatura, exista tal diferença). Serve mesmo para encher os bolsos dos organizadores com a taxa de inscrição e a recompensa é a edição de um livro-coletânea com cerca de 250 exemplares a serem distribuídos pelos próprios autores-vencedores. E olha que a comissão organizadora ainda exige a doação dos direitos autorais. E tem prêmio que, mais acima desta constelação para enriquecimento com dinheiro alheio, pode ser uma boa estratégia de divulgação, pode representar o ingresso do autor estreante na mídia e coisa e tal. E para estes, aquilo que é de consolo, a Menção Honrosa. Um bom exemplo é o Prêmio SESC de Literatura, muito desejado pelos autores estreantes, já que é destinado apenas a eles. A premiação, em duas categorias – conto e romance – é a publicação de 4 mil exemplares do livro e um contrato com a Editora Record (10% preço de capa). A outra grande graça é o autor participar, Brasil adentro, dos eventos de literatura promovidos pelo SESC.

Estou de olho nesse prêmio. Tanto que, ao ver a lista e os comentários dos vencedores de 2008 (resultado divulgado em março de 2009), algumas coisas me chamaram a atenção. Principalmente as Menções Honrosas. Do total de 457 inscrições, 20 romances e 51 livros de conto chegaram à fase final, resultando em 1 vencedor por categoria. Até ai, nada de novo. No entanto, com 31 livros a menos, a categoria romance embolsou mais três menções honrosas, nenhuma foi destinada aos livros de contos, maioria das inscrições. O fato é que deve haver um motivo que eu, longe, não posso afirmar, apenas especular.

Um amigo meu, poeta português e vencedor do Prêmio Júlio Brandão (cujo qual eu nunca ouvi falar, mas que altera o status literário do gajo), foi categórico: é mais fácil escrever um romance do que um conto. Na ocasião eu não entendi, não saquei, não peguei. Ele dizia que era por conta do conflito e da estrutura dos textos e coisa e tal. E mesmo ele me dando argumentos consistentes para a defesa de sua teoria, eu, pela obviedade do menor número de páginas, continuei acreditando que seria infinitivamente mais fácil escrever um bom conto do que um bom romance (eliminando-se o talento natural de cada um). Pensava assim até a divulgação do resultado destas menções honrosas, agora já não sei.

Sei que deve haver uma razão mais plausível para que as honras aos livros de contos deixassem de serem dadas. Ao pé da letra, Menção Honrosa é uma distinção conferida a uma obra não premiada, porém merecedora de citação. Um prêmio (de consolação?) dado por um ato que, embora não tendo sido distinto em primeiro lugar, merece ser citado. Aí que está o cerne da questão: nenhum outro livro de contos mereceu tal citação? Não houve, de fato, honradez? Mérito? E se não teve nada disso, até que ponto o livro vencedor é, de fato, uma porta de entrada à literatura? E de qual literatura estamos falando?

São questões interessantes. Será que meu amigo poeta não está com a razão? Que não é tão simples assim escrever um conto e que, então, esse bando de novos autores recorreu ao mesmo erro que o meu, de acreditar que a quantidade de páginas breves facilitaria o ato de ser um bom contista? A sentença “sem honra, sem qualidade literária” me escancara dúvidas. Será que não venceu o menos pior? Por outro lado, os prêmios, os concursos, os campeonatos, os jogos não são assim? Naquela leva, naquele ano, naquela vez vence, de fato, o melhor plantel. Coisa de momento.

E olhando pelo borne exato da coisa, de qualquer forma, ser o melhor entre os piores – com ou sem menção honrosa – resulta em oportunidade, não se pode negar. Então que ela seja bem aproveitada, pois, como dizem, a ocasião faz o ladrão.

A Renascer em Cristo da Literatura


Moro há poucos quarteirões da Igreja Cristã Apostólica Renascer em Cristo, cujo teto desabou matando 9. Virou notícia. Na televisão, nos jornais impressos e na internet. Um desastre anunciado, não porque alguém viu um pedaço do teto desabando dias antes ou porque a empresa que fez a recuperação do telhado foi inconseqüente. Por tudo isso e pelo fato do bispado dono da igreja estar em liberdade vigiada nos Estados Unidos por tentar entrar no país com uma sacola de dólares – muitos deles – não declarados. Taí a tragédia anunciada. Nos dólares não declarados. Na lavagem de dinheiro, na corrupção, no enriquecimento ilícito que propicia este “a mim tudo ao vosso reino, nada!”. E não foi isso que aconteceu anos antes com o teto da Igreja Universal do Reino de Deus? Desabou, matou 25, virou notícia. Dez anos depois não há outros culpados além de cupins.

Enquanto os helicópteros ainda voam por sobre a minha cabeça, meu pensamentos vagueiam naquilo que ouvi de José Arbex Jr. em uma de suas aulas sobre a história da imprensa. Para mim ficou a mensagem de que o tiro saiu pela culatra de um algo mais ou menos assim: quando a alfabetização do povo se deu através da igreja (coisas da catequização), a própria igreja não se deu conta de que, ao dotar seus seguidores da escrita (leitura da Bíblia), do estudo, do letramento, eles ganharam força, surgiu a Reforma Protestante e a Igreja se segmentou, perdendo seu poder soberano sobre os fiéis. É claro que a coisa passa também pelo surgimento da imprensa de Gutenberg, outro instrumento importante para a alfabetização das classes populares.

“Eu trabalhava no estaleiro e aí todo dia que era de receber, eu ia para a fila e aí tinha que assinar o nome. Eu tinha vergonha, demorava na fila e todo dia dizia que meu dedo tava doendo e eu deixava as pessoas passarem na minha frente...Todo mês era isso.Então, um dia meu patrão me chamou e perguntou: por que você não volta a estudar? Aí eu pensei, eu não, isto não é para mim, eu não vou aprender...Eu sou nervoso, tomo remédio de cabeça... Até que um dia eu fui numa igreja e o pastor disse para mim que eu ia voltar a estudar para ler a Bíblia e eu tive uma visão que eu iria construir uma igreja para o Senhor. Aí voltei a estudar, já sei ler um pouco e sou pedreiro de uma igreja como na visão”. (Júlio César, aluno da Educação de Jovens e Adultos matriculado no segundo ciclo em uma escola municipal de Niterói – em: Luciana de Almeida Campos, neste trabalho aqui).


Então o teto da igreja desabou, alguém viu um pedaço dele cair dias antes, a empresa contratada para reformá-lo se utilizou de amianto, um pó pra lá de ruim pra saúde e proibido no Estado de São Paulo, o bispado preso por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e coisa e tal e com esse bando de coisas fora do eixo, hoje em dia, o grande incentivo do código escrito tem a finalidade de se perpetuar a leitura dos textos bíblicos. É fato que há um controle das massas. Com a Contra-Reforma (e paralelamente com a consolidação das igrejas protestantes) se iniciou uma era marcada pelo enrijecimento hierárquico, pela doutrinação das massas, pela extinção da cultura popular e pela marginalização das minorias. E isso se reflete até os dias de hoje, não necessariamente por conta das ações da igreja, já que vivemos em uma sociedade cujos entremeios políticos também se estabelecem na via do poder e, ao povo, a alienação.

“A cultura escrita é inseparável dos gestos violentos que a reprimem. Antes mesmo que fosse reconhecido o direito do autor sobre sua obra, a primeira afirmação de sua identidade esteve ligada à censura e à interdição dos textos tidos como subversivos pelas autoridades religiosas ou políticas. Esta ‘apropriação penal’ dos discursos, segundo a expressão de Michel Foucault, justificou por muito tempo a destruição dos livros e a condenação de seus autores, editores ou leitores. (...) A fogueira em que são lançados os maus livros constitui a figura invertida da biblioteca encarregada de proteger e preservar o patrimônio textual. Dos autos-de-fé da Inquisição às obras queimadas pelos nazistas, a pulsão de destruição obcecou por muito tempo os poderes opressores que, destruindo os livros e, com freqüência, seus autores, pensavam erradicar para sempre suas idéias.” (Roger Chartier, A aventura do livro: do leitor ao navegador – copiado daqui)


Este é o gesto violento, não o fato do teto desabar, mas todo o processo de alienação e de capitalização a qualquer custo do mundo vinde a mim, ao vosso reino, nada. Já disse no texto anterior que o incômodo é colocar a literatura no lugar do inatingível, para poucos, que não é diferente do processo de Inquisição. Também já disse aqui e aqui sobre a possibilidade de se utilizar os meios eletrônicos para a democratização da literatura, e do quanto não parece fazer sentido existir um modo certo de escrever, com frases curtas, a subjulgar a capacidade do leitor. Tudo isso me parece destinado à doutrinação, e a história já conta com um repertório bastante grande. É como se a escrita obedecesse o senso comum da mesmice e colocasse todos no mesmo pacote, seja ele o da literatura para as massas, seja ele o da literatura para poucos.

No pacote de Deus, por conta de mais uma tragédia dentre tantos tetos que desmoronam em igrejas, shoppings, supermercados e demais templos destinados ao capitalismo, para pensar um pouco, um exemplo da função doutrinária da escrita e o apelo das massas, tirado daqui:

“Oro para Deus ter misericordia das pessoas que ainda não tinham Deus como Senhor e Salvador, principalmente da quelas que olviam a palavra! O povo de Deus tem que esta vigilante, porque Deus volta para pessoa e nem tem tempo para pessoa dizer perdoa me, como aconteceu ai!”

“Não sabemos a hora. É orar e vigiar!”

“acredito que Deus estava naquela igreja, pois ELE mesmo diz que onde duas ou mais pessoas estiver presente em seu nome ali ELE estaria, ELE sabe o porque da causa desse desabamento. O que devemos fazer é somente orar pelos nossos irmãos.”

“É no deserto que ocorrem os maiores milagres. Deus têm um plano tremendo na vida do Apóstolo Estevan e da Bispa Sônia, creio que Deus irá levantar este ministério como nunca antes, os joios sairão, mas aqueles que permanecerem fiéis participarão deste grande mover. Oro pelas famílias e creio na salvação das vítimas.”

“Não podemos ficar acomodados na Fé, todos cristões (evangélicos) temos que orar muito, jejuar e ficar em espirito, como diz: em “Salmos 91:7 Mil caíra ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atigindo”, e que Deus abençoei a todos.”


Me parece que a igreja está, de fato, fazendo o papel que ela se propõe. Tirar do ombro dos homens o peso do mundo e deixar tudo ao gosto de deus e da oração como forma de redenção. A bíblia ainda é o livro mais vendido de todos os tempos e ainda insistem em colocar a literatura no lugar do inatingível, para poucos, quando ela poderia exercer um papel de reforma. Mas somos um país de não letrados e, como dizem por aí, qualquer estrutura ou nação podre um dia desaba ou não se constrói.

Por uma literatura mais profana!


Marçal Aquino, no programa Provocações da TV Cultura:
“(..), sequer me considero um escritor. Sagrada é a literatura.”

É da semelhança disso que me vem o incômodo, colocar a literatura no lugar daquilo que, aos mortais, é inatingível. E há, de fato, um Olímpio para quem, hoje, determina o estético valor das letras. É como reconhecer um bom vinho. O sujeito faz um curso e aprende o sabor do sim e o sabor do não. Não depende mais do que é palatável à particularidade de cada um, mas a um conjunto de Best Sellers e Prêmios Literários que propagam seus ditames de lá e para cá, nas tendências que se criam e que se fazem lei.

Na lei, uma crítica ao Paulo Coelho: o que ele faz não é literatura! Eu já cansei. Tanto, que passei a defendê-lo, e em literatura. Se é de gosto ou não gosto, não importa, é de cada um. E se Houaiss define literatura como sendo o uso estético da linguagem escrita, problema dele, eu defino como um conjunto de palavras que compõe um todo que narra, faz rima, ficção, paródia, declama, conta, romanceia e por aí vai, inventa, cronica.

A estética existe para cada um dizer sobre o seu (apenas isso) gostar de ler, que é diferente do gostar de ler das outras pessoas. E aqui vale a nota: pode não ser imortal, posto que é chama. É que um livrinho de banca de jornal pode ser mais infinito que outro, preso ao cordão de ouro de uma literatura para poucos. Por que não colocar aquela pedra de gelo na taça do vinho ou uma boa colher de açúcar? Aquilo que está no lugar do inatingível diz pouco a um povo e não há leitura que o sustente.

Mas quem foi que disse? É que sacramentar as letras não me parece boa idéia. É colocar a literatura ao nível de Deus. No lugar do inquestionável. E nesta seita, como na política ou qualquer outra forma hierarquizada de sociedade, o topo é uma minoria de semideuses, aqueles que manipulam a lista dos 10 livros mais vendidos da semana, determinam os vencedores do prêmio Jabuti e, por aí vai, ditam tendências. A cachaça tem que ser de Salinas enquanto Rosa Montero, em seu livro A Louca da Casa, diz que o romancista isto, que ele aquilo e coisa e tal, mantendo a literatura no lugar do mito.

Tem muita igreja e templo abandonados, como tem muita biblioteca vazia. Um escritor que sequer se diz escritor remonta um equívoco: a literatura, aquilo que ele não faz (o que se faz então?), não é para um leitor profano, aquele que lê caixa de cereais à mesa do café, bula de remédio, letreiro de ônibus ou busca informações na Revista Veja, tão condenada pelos jornalistas, intelectuais e pensadores de fino trato.

O que mais me deixa com a pulga atrás da orelha é ver que as pessoas que colocam a literatura para trás dos montes são as mesmas que ditam o ato de escrever: deve-se ter um bom início de parágrafo, deve-se evitar a mesóclise, tratar-se-á de escrever frases curtas e, para todo o resto, não se esqueça da literatura engajada, aquela que vem da tragédia, da fome, da sede, da guerra, do nazismo, da miséria, da cor, do gênero, da raça e da pobreza.

Pois sagrada é a literatura, dizem! Não pode ser de re-uso como uma meia furada, ou rasurada, amassada, escrita e reescrita com palavras do povo, consumida profanamente ou atirada aos porcos, embora fale deles. E para todo templo de admiração impalpável, paredes e mais paredes recobertas pelas obras dos grandes mestres. E neste museu não se pode tocá-las, apalpá-las, folheá-las ou fotografá-las, apenas manter-se à ausência: “sequer me considero um escritor”.

É como impedir os olhos da leitura, cegá-los depois da alfabetização.

_____________

Abaixo, um vídeo de incentivo a leitura
(para longe do lugar inatingível de uma literatura para poucos:

Ler devia ser proibido

Procura-se (urgentemente!) escritores não jornalistas e afins!

A literatura está manca. Livros afora e computadores adentro, ela atravessa uma corrente de frases curtas até chegar ao mini-conto. Micro. E a coisa está tão diminuta que chegará o dia em que uma só palavra bastará e, pronto, conto! Tenho minhas suspeitas de que existem, secretamente, escritores procurando por ela, a palavra certa, aquela que, sozinha e absoluta, vagueia por aí a espera de ser o menor conto do mundo. O mais perfeito. O derradeiro amém.

Eu suspeito do marketing e da publicidade, mas talvez essa coisa de cortar pelo pé seja mesmo coisa de jornalista com seus lides e suas frases curtas e a velha mania de achar que não é de bom tom um vocabulário mais requintado, uma história mais robusta ou um texto mais complexo feito para ler em atenção, uma linha depois da outra, até que então ele se vá e se finde como se o tempo não passasse e de modo que uma frase tão longa quanto esta pudesse co-existir com outras, de outros tipos, em diversas situações.

Não há regra que se preste nem reza para qual eu queira me ajoelhar neste instante. Apenas declaro que cansei de ler escritores-jornalistas, escritores-literatos, escritores-bacharéis, escritores coisa e tal, publicitários e marqueteiros. Quando os leio, parece que é sempre a mesma narrativa, o mesmo mantra que se repete, e se repete, e se repete de modo curto, rasteiro, grosseiro e primário. Uma regra de faculdade: O gato subiu no telhado. Em cima do telhado o gato fez xixi na careca do vovô. A vovó ficou zangada e o gato caiu, quebrou a perna e morreu. A Lili foi pro quarto chorar porque Zinfrin era seu único amigo. Ela chorou até fazer setenta e oito anos e morreu dali cinco dias.

Tá! Há um exagero destinado ao irônico, admito. Mas quem foi que disse? Quem determinou que as letras deveriam sobreviver do estilo x, y ou z? Cansei do mesmo mote, da mesma forma, do mesmo pacote. Quero ler gente de verdade e não imitação. Quero uma voz própria que esteja distante de tanto academicismo, dos editores de plantão, do regime de escravidão. Quero ler escritor que o seja por natureza e não por jornalismo, letrismo, advocacismo ou judaísmo, e que estas categorias lhe sejam apenas uma extensão, não uma norma, um preceito, uma condição.

Quero que a palavra escrita saia de mãos destreinadas, desordeiras, incongruentes e sábias. Mãos sagazes, pensamentos soltos, escolhidos na melhor letra que me provoque, que me instigue, que me questione, que me diga algo que extrapole as fronteiras dos concursos literários, da literatura engajada, dos mecanicismos, dos críticos literários, das rezas, dos estudos acadêmicos e das editorias mercadológicas. Quero a liberdade. Quero a possibilidade de qualquer um vir a se tornar um escritor, se assim o desejar. E quero que haja pessoas que, antes de serem leitoras, sejam escritoras. Quero que a máxima de que o bom escritor deva ser, antes de tudo, um bom leitor se extinga para que, de fato, o novo surja como efeito da literatura ao deixar para trás fórmulas de sucesso, os mestres e os precursores. Existir apenas, de um eu e não um nós literário.

Diálogos com a Literatura



Revisitando os cadernos de rascunho, aquele recebido em São Francisco Xavier por ocasião do Festival da Mantiqueira Diálogos com a Literatura: uma festa de livros com a presença de diversos escritores. Palestras, atividades infantis, sessões de autógrafos e shows.

E lá da oficina de Narrativas Breves, com Marcelino Freire:

BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA

| Mais não sou!
| Simplesmente, não marcelinamente
| Não uso bambas
| Ou jeans.

E para o exercício de tema oculto - hein? - o SUICÍDIO:

| Havia um hiato entre ela e a máquina de costura. Repulso. As linhas teciam, vermehlas. E de fino linho: artéria, vinco, dor. O ponto-a-ponto, em cruz!

| Havia uma consoante entre ela e a linha de escrever. Tinteiro e substantivos de fino trato: risco e traço. Não traço, em vírgulas.

| Havia entre o texto e a máquina, abismo!

E por fim, quem contaria a história de Jesus Cristo em 2 linhas? Eu nem tentei, fiquei apenas no rabisco:

| Enquanto eu vivo, que Drummond suporte o mundo!

A função dos blogs na literatura

A função dos blogs na literatura
por Fernanda de Aragão

Para os conectados, faz tempo que os blogs deixaram de ser um diário virtual, destinado às confissões adolescentes do primeiro beijo. [O dossiê do Luis Nassif contra a revista veja é um bom caso da força que tem um blog; bem como a discussão política e econômica de Noblat e a ciência evolucionista em constante discussão lá no Polegar Opositor]. O fato é que há serviços gratuitos e tutoriais para templates, layouts, recursos adicionais e hospedagens que dão aos usuários, pela facilidade de se montar um blog, o poder da palavra escrita, da opinião, da expressão, do registro e da democracia. Pedro Serra, em entrevista ao Blog do Luiz, foi taxativo: “os blogueiros são formiguinhas com megafone!” E desde então eles arrumaram um ganha-pão. Este novo profissional foge dos contos das carochinhas e em prol de um teor relevante, reflexivo, novo e atraente ao público, deixa de lado o “de onde fui para onde vou” e as listas de supermercado. Com um bom conteúdo, há quem lucre mais de 10 mil reais mensais com a atividade de blogar. Mas é importante não se iludir. Dá trabalho, afinal, ninguém enriquece sem esforço, principalmente com a recessão americana assombrando as bolsas de valores mundo afora. [Estamos em setembro de 2008!].

Por outro lado, a internet vive o movimento WEB 2.0. Trata-se de um movimento colaborativo e está associado ao código aberto. Qualquer usuário pode transformar, melhorar, inserir e modificar uma plataforma, um programa, um software open access. Daí se nota que também está ficando o monopólio de Bill Gates. Embora a Microsoft ainda se mantenha líder, a tendência é questionar, interagir, criar soluções on-line e filtrar o joio do trigo. O mesmo acontece com os blogs, cuja interatividade se dá através de dois instrumentos em específico: a ferramenta de comentários e a ferramenta trackback. A primeira permite que o leitor poste seu comentário acerca do que foi escrito, aproximando-se do autor do texto, da notícia, da idéia, do artigo e do pensamento, originando um debate. Já a segunda permite que postagens alocadas em outros blogs sinalizem as postagens originais através de um link, para que sejam identificadas por redirecionamento, prolongando a discussão nos diversos espaços virtuais, os blogs parceiros. É exatamente isso que possibilitam uma visão diferente para o blog, muito além daquela que se fez origem.

Devido à crescente popularização – em junho de 2008, o Ibope/NetRatings divulgou que mais de 51% dos internautas brasileiros andaram navegando pelas plataformas do wordpress e do blogger/blogspot – hoje já se estuda a influência dos blogs na formação de opinião dos leitores, principalmente sua influência na transmissão da informação midiática e jornalística. Um exemplo é o blog Geración Y da cubana Yoani que recentemente ganhou o Prêmio Ortega y Gasset do jornal espanhol El País na categoria Periodismo Digital: “a la mejor información o narrativa multimedia publicada en Internet”.

É assim que, avassaladoramente, os blogs vão ganhando especificidade. Trabalham em cima de temas específicos, buscam um pagerank elevado e, para isso, escolhem as palavras e a quantidade delas que mais agrade o sistema robótico de buscas do google. É coisa de profissional. É ele que se destaca de todos os outros blogueiros e do crescimento daqueles dois blogs criados por segundo dentro da chamada blogosfera. Este livre se expressar ganhou o mercado, com os blogs corporativos, e a educação, com os blogs pedagógicos. Mas nesta linhagem de blogs temáticos, o que dizer dos blogs literários?

Há por certo uma sombra que não deixa a literatura produzida em blogs emergir. Pelo menos não ganha a mesma visibilidade que outros blogs temáticos, de política, de ciência, de opinião. Talvez porque haja a questão da autoria envolvida no mercado literário e que ainda é tabu para muitos autores e editoras. Vive-se de copyright e um texto publicado na internet torna-se um texto já publicado, num mar de procura por originais. No entanto, a questão dos direitos autorais na internet também já está bem resolvida com a Criative Commons License, aceita legalmente em vários países, inclusive no Brasil. É só o autor selecionar que tipo de licença ele quer para seu escrito e colocar na página um link de aviso. Simples, prático e eficiente.

Mesmo com toda essa ferramenta blog borbulhando pela internet, outros tabus invadem o meio: de que os livros vão acabar, de que liberando o acesso gratuito ao texto, quando este for publicado em papel não haverá quem o compre, que publicando os textos on-line queimam-se eles para concursos literários (isso infelizmente é verdade) e blá-blá-blá e coisa e tal. E talvez seja pelo conjunto disso tudo que faz com que os autores já publicados utilizem seus blogs como um diário de bordo, uma agenda de eventos, como nos primórdios. Um retrocesso.

Talvez seja por uma falta de conhecimento, ou falta de outras coisas, que autores como Clarah Averbuck [leia também A Cerveja Escarlate] preferem excluir a ferramenta de comentários de seus blogs contrapondo-se ao mundo real da cubana Yoani que ao gerar mais de 3 mil comentários em algumas de suas postagens, agrega jovens do mundo todo, ávidos por discutirem seus ideais sociais, econômicos e políticos. Enquanto um vive de ser uma cigarra gritando em cima do muro, a outra é a tal da formiguinha com o megafone.

Há de se pensar novas estratégias para os blogs literários, que caminhem para além de ser um diário tipo Bruna Surfistinha. Se ainda encaramos a literatura como algo erudito, destinado para poucos, há, de fato, pouco espaço para ela na internet. Se ao contrário, acreditarmos que a palavra tem um força para além, a literatura original, feita de instante, não pode fugir aos blogs, ao olhar do outro, principalmente neste momento WEB 2.0 em que se constitui um modelo hibrido de interface entre os blogs e os sites (uma alusão às revistas literárias que se proliferam ciberneticamente, mantendo-se o ciclo fechado das editorias).

Um último dado: a profissionalização dos blogs permite que os autores façam parcerias com livrarias, editoras, lojas de departamento e por aí vai. O programa de afiliado do Submarino para professores, por exemplo, paga 10% preço de capa por cada livro vendido através de um blog parceiro. Quanto é mesmo que ganha um autor? Os mesmos 10% preço de capa. A monetização nos blogs e sites é uma realidade e está aí para ser explorada. Diz o google que para se aumentar o pagerank das páginas e dos blogs, e com isso ganhar mais visitantes e, consequentemente, aumentar as vendas em programas afiliados, é necessário que os donos de blogs escrevam conteúdos originais [o ctrl-c, ctrl-v geralmente não é bem visto]. Ou isso, ou o blog perde sua potencialidade. Não seria o caso de a literatura explorar melhor esse nicho?

Por que não é fácil manter um blog de qualidade na internet?

Em setembro de 2008 saiu a 5ª edição do State of Blogosphere, estudo do sistema Technorati, especializado em blogs. A pesquisa traz como principal indicativo que o ato de blogar não atinge apenas aos mais jovens, principalmente na América do Norte e Europa. O crescimento é, de fato, espantoso. No entanto, dos 133 milhões de blogs registrados no sistema, apenas 5,5% (7,4 milhões) foram atualizados nos últimos 4 meses. Dado que reforça a idéia de que nem tudo que reluz é ouro, principalmente a função democrática da internet.

Uma formiguinha com megafone trabalha. A pesquisa ainda indicou que 45% dos blogueiros consultados passam mais de 5 horas semanais cuidando de suas crias. 12% do total chega a passar 20 horas semanais. É importante observar que um maior tempo dedicado ao blog também se reflete em uma maior autoridade/visibilidade na blogosfera: blogs tops no ranking do Technorati têm uma média mensal de 310 posts, contra 125 dos que ocupam as posições entre o 101º e o 500º. [Coitado deste Cinco de Outubro!]. O Technorati aponta ainda que os blogueiros com maior autoridade usam mais tags – palavras-chaves de indexação para a postagem, disponíveis em diversos sistemas de buscas de informações em blogs – e fazem abordagem com assuntos relacionados ao noticiário, o centenário de Machado de Assis, por exemplo.

A lista

A lista
por Fernanda de Aragão

Ai de ti se depois dos 30 não fores um par. Ai.
Um tu e um outro, que façam de vós um único social. Ai de ti.
Se quiseres mais de um, viver em ímpar. Não! A ti, os pares.
Quartetos, sextetos, octetos de tu com um outro,
em consonância com duplas de alívio
com um ela “não sou feliz, mas tenho marido”
ou um desespero: “os homens são de marte, é para lá que eu vou!”.
Ai de ti. Que do alívio não tens marido, nem passagem para marte
quando ainda decidem qual delas é pra casar, ser amante, ou por um dia.

Ai de ti se antes dos 30 eras um grupo. Ai.
Um tu e um bando, que de ti faziam um todo social. Ai de vós,
pela saudade das amizades de infância, e daquelas de faculdade
quando a dor do mantra “precisas aprender a ser só” – ai! –
cai direto na conta do apego que se esvai e no além dissolve.

Ai de ti se antes dos 30 eras o só. Ai. De ti
um tu no espelho que te fazias mundo. No longe, ausente.
Ai de vós que ficastes, que te foste, na soleira ou ao largo,
dos que, à risca, assinaram os protocolos, aceitos, não notados,
de tu com um outro, aos pares, numa espera do por vir.

Que um tu num trio não te bastas, arrasta
quintetos, septetos, numa lista
que te ímpares, que te sobras, que – ai de ti – resta!

***


***

A tristeza

Por que num mundo assim,
Já tão cruel,
As pessoas esquecem que são amigas?

***

A Lista (Oswaldo Montenegro)



***

A Cerveja Escarlate


O evento Cartografia Web Literária, promovido pelo SESC Consolação em parceria com o pessoal do Portal Cronópios - Pipol e Edson Cruz - foi realmente muito bacana. Bom para os pensamentos sobre os caminhos da nossa literatura contemporânea, quem é quem e coisa e tal. A crônica abaixo foi inspirada na mesa *publicação e distribuição da literatura em tempos digitais* do dia 13 de agosto, que recebeu aqueles que "começaram, ou firmaram sua escrita e interferência no meio literário, em blogs, sites ou coletivos de literatura". A idéia da organização era "discutir os caminhos da publicação e da distribuição da literatura em tempos de Internet e a importância de sites e blogs na trajetória de autores, iniciantes ou não".

Debatedores: Clarah Averbuck, Ana Paula Maia, Cardoso (André Czarnobai), Artur Rogério, Lima Trindade - Mediação: Fabrício Carpinejar


A cerveja escarlate
por Fernanda de Aragão

- tem cerveja?
- o que você acha desta questão da China e do Tibete?
- por que é que não pode fumar aqui?
- estão querendo construir uma nova estatal para extrair petróleo, você viu?
- fiz esta tattoo para lembrar minha primeira transa, o cara era ótimo!
- você leu o dossiê do Luis Nassif contra a revista veja?
- não leio blog dos outros.

Ele, porque precisa romper para ser anti, carregou ela pelas ruas da cidade depois de ter pintado com escarlate as unhas de uma das mãos. Base na outra. Disse que vai à manicura só para entender as mulheres. As boas línguas contestam: é só para ilustrar o óbvio do pensamento casseta e planeta. Urgente! E se está todo mundo de terno, porque a festa é black tie, ele vai de kilt, simples assim: óculos coloridos extravagantes para roubar a cena, chapéus de bobo-da-corte tirados da sua sacola lúdica estilo mary poppins, perucas e piadinhas do tipo “se você quiser dizer porra, amém!”. E pela bizarrice o chamam de poeta.

Elas, no meio do debate e durante a fala do próximo, cochichavam uma com a outra e riam alto, microfone à mão, quando a platéia interveio:
- o que você tem a dizer?
- desculpe, qual é a pergunta mesmo?
- se você já descobriu algum escritor pela internet...
- dane-se! E a cerveja, vai chegar?
- cocaína só do lado de fora! – Ele disse, não porque precisava parecer anti, mas porque ela estava lhe roubando ao se portar assim, mais anti do que ele. Não, não pode; e continuou: - se tu quiser, pode ir fumar lá fora!
- a porta da rua é serventia da casa – Murmurou alguém na platéia, mas ninguém ouviu.
- posso ir fazer xixi? – Era a voz da outra.

Talvez porque ela não tivesse, de fato, nada relevante a dizer, levantou-se e voltou depois de urinar. Tomou de volta seu lugar à mesa de debates, microfone sobre o colo e olhar pro canto de lá, de quem nunca esteve no lado certo do auditório, até que lhe dirigiram a palavra:

- desculpe, qual é a pergunta mesmo?
- seu blog literário, tem finalidade de quê?
- apenas para divulgar meu trabalho, deixo na gaveta os originais.
- e os comentários?
- não vejo! Aliás, não tenho esse espaço para críticas. Não estou nem aí!
- fodam-se? – Era ele novamente, clamando a atenção escarlate.
- é, fodam-se! – ela numa risada irônica, um pouco antes de concluir: - e a cerveja?
- foda-se tu! – A mesma voz indignada da platéia mais uma vez não foi ouvida.

Mas a transparência deu no paralelismo do microfone aberto:
- Fabrício, a cor das suas unhas combina com o meu isqueiro!
- E a base da outra mão combina com seu nome, Clarah.
- Ana Paula, o que você acha?
- desculpe, qual é a pergunta mesmo?

Combinaram a cerveja para depois dali. E lá pela meia-noite a bebida no copo já assumia os 100 reais da garrafa de vinho, um cigarro depois do outro. É que tanto faz. Eles apenas precisam romper para ser anti. É que tanto faz. No calote, só a cerveja escarlate.

A História das Coisas

A História das Coisas ou The Story of Stuff



Para ver, ouvir e pensar: ah se a história das coisas pudesse ser tão simples assim, que maravilha viver. Sair de um sistema linear para um contínuo num mundo finito. Parece haver um algo que falta aí, que nem a pré-história e dinossauros dão na conta de ser exemplo daquilo que se vai no ponto final. Eu só quero saber de mim, de mim e de mim e mais ninguém. Marx alertou para O Capital, que li sem ler, só de tanto ouvir falar. Como todos os clássicos. Shakespeare, Montaigne, Hanna Barbera. Foi piada.

Há um dentro em mim - em primeira pessoa, como a pessoa do vídeo - que não me deixa comprar a idéia no longo prazo. É o tom. Toda vez que o discurso vitimado me assola de chofre eu páro para pensar mais de uma vez. Ainda estou na primeira, então eu não sei. Mas há algo de podre não só no reino da Dinamarca (onde será que se faz a América em tempos de crise in banks?). E mesmo que a Latina se poste como a casa da mãe Joana, por imposição ou por querência, há mais política do que causalidade em palavras tão bem escolhidas. Em que ano são as eleições americanas mesmo? Seria então este vídeo uma coincidência de datas ou um algo para enfraquecer o governo e quem ele apoia?

Mas ó, comigo não! Há nele (vídeo) um pensamento raso, feito para ser global, de informações imprecisas. Dados e dados e mais dados e a dúvida verossímel: as caixas de leite com papelão, alumínio e plástico podem ser recicláveis sim (no interior do Brasil, faz-se bancos de praça com elas, armários de primeira linha). Basta querer. Pensar, recriar o mundo, para poder salvá-lo. Sei não, é fato que há uma certa relevância no documentário, mas algo me diz que não é bem assim que as coisas funcionam, embora eu acredite que, sim!, as corporações controlam o que sou. Você não sente o mesmo engodo, feito pra inglês ver?

No Céu de Outono, a Amizade!

Hoje eu baixo a guarda para escrever em silêncio este texto vinicius de moraes. É que o meu gostar de você não é uma carta de amor, é um sentido parafraseado em letras que não têm nome. São poucas as coisas que se traduzem num quem sou, mas que você sabe tão bem. Juntos - e separados - somos bons e ruins, o lado de lá e o lado de cá, o improvável e o imperfeito.

E porque você conhece os segredos das minhas verdades eu não consigo me imaginar nos próximos 100 anos sem você ao meu lado. A imagem de nós dois, na luz deste outono, fortalece um ser em mim, que sai de dentro. É o alguém que eu sou, o alguém que muitas vezes nem sei que existe, e que você traz a baila sempre pelo melhor ângulo, ou pelo ângulo que eu ainda não tinha visto. Quando isso se faz, com você eu me refaço e me recomponho para o que está porvir.

E para todos os encontros - e em todos os encontros eu fujo de ser romântica - há um você a falar desta coisa humana, há um você a acreditar nos sonhos e há um você a lutar pelos seus ideais, pela vida e pelo amor. Letras, minhas e suas. Tintas, minhas e suas. Pincéis, os seus e os meus. Retratos de nós dois e de um mundo que formamos diferente. Traços e retraços, pois há mais de um eu em mim como há mais de um eu em você.

É por seu carinho, por sua amizade e por seu gostar de mim que anuncio aqui estes fonemas tão improváveis, que me escapam à alma, pois bem sabe que prefiro as palavras na linha do pênalti em direção ao gol. Neste céu de maio - imerso num caldo de cores, e de pensamentos, e de nuances - e em todos os céus, ao seu lado, eu posso ser o meu ser mais bizarro, mais absurdo, mais nonsense e mais desconexo.

Eu posso não ser e então ser um tudo. E é por isso que eu lhe digo, meu amigo, que seu companheirismo e sua amizade me são preciosos e me tornam uma pessoa feliz. E na somatória, agora há um outono dentro de nós. Obrigada pela Amizade. Agradeço o Companheirismo. Retribuo o Carinho.

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O projeto deste blog existe àlguns meses. É para falar sobre política, sociedade, história, mercado, filosofia. Coxexões de um mundo prosa. De um mundo crônica. De um mundo que estou aprendendo a conhecer. Enquanto o projeto não vem, deixo aqui estas letras, escritas para meu amigo, neste céu de outono. (Na verdade eu queria muito por num blog esta foto que tiramos, nós dois em primeiro plano e o casamento dos amigos em segundo plano. E eu também queria agradecer a amizade que ele me dedica, daí o texto).
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